Uma vacina personalizada contra o melanoma alcançou resultados positivos num ensaio clínico de Fase 3, fazendo disparar as ações da Moderna até 156%. Os títulos da MSD, parceira no desenvolvimento do tratamento, subiram cerca de 8%.

A Moderna e a MSD, antiga Merck, anunciaram resultados positivos nos ensaios clínicos de Fase 3 da vacina personalizada contra o melanoma. O tratamento, desenvolvido em combinação com a imunoterapia pembrolizumab, atingiu os objetivos definidos para a sobrevivência livre de recidiva e para a prevenção da propagação do cancro para outros órgãos.

Apesar dos resultados promissores, as empresas ainda não divulgaram todos os dados do estudo. O comunicado inicial não revelou, nomeadamente, a dimensão exata da melhoria na sobrevivência dos doentes nem a redução concreta das taxas de recidiva. Os dados completos deverão ser apresentados numa conferência médica internacional.

O anúncio é considerado um marco no desenvolvimento de vacinas contra o cancro, uma vez que esta é a primeira vacina personalizada deste género a apresentar resultados positivos num ensaio clínico de Fase 3, a etapa mais avançada dos testes realizados antes de uma eventual aprovação.

O tratamento utiliza tecnologia de RNA mensageiro, a mesma tecnologia que esteve na base de várias vacinas contra a covid-19. Neste caso, porém, o objetivo não é prevenir uma infeção, mas preparar o sistema imunitário para reconhecer e combater células cancerígenas.

A vacina é criada especificamente para cada doente. Depois da remoção cirúrgica do melanoma, uma amostra do tumor é analisada para identificar as características próprias das células cancerígenas. A partir dessa informação é desenvolvida uma vacina de RNA mensageiro personalizada.

O tratamento procura ensinar o sistema imunitário a reconhecer essas características e a atacar as células cancerígenas caso estas voltem a surgir no organismo.

O ensaio clínico envolveu 1.137 pessoas com melanoma de elevado risco, que já tinham sido submetidas a cirurgia para remover os tumores. Os participantes foram divididos em diferentes grupos para comparar os resultados da imunoterapia com a combinação que inclui a vacina personalizada.

Os dados apresentados anteriormente, num congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica, já tinham demonstrado resultados promissores. Nessa análise, a combinação da vacina com pembrolizumab reduziu em 49% o risco de recidiva ou morte e em 59% o risco de desenvolvimento de metástases.

Com os novos resultados, a Moderna e a MSD deverão avançar para a apresentação dos dados completos às comunidades médica e científica e iniciar conversações com as autoridades reguladoras sobre uma possível aprovação.

As duas empresas estão também a testar a mesma tecnologia em outros tipos de cancro. Existem atualmente oito ensaios clínicos em desenvolvimento para tumores como os do pulmão, bexiga e rim.

O sucesso no melanoma poderá representar, assim, um passo importante para uma nova geração de tratamentos contra o cancro, desenvolvidos de forma personalizada a partir das características específicas de cada tumor.