A França enfrenta uma vaga de contestação estudantil que já provocou quase sete mil detenções desde meados de setembro, numa altura em que os protestos dos alunos do ensino secundário entram no quinto dia consecutivo de mobilização nacional. As Nações Unidas manifestaram esta sexta-feira, 9, preocupação com a violência registada nas manifestações.
Segundo o Ministério da Educação francês, 141 dos 3.700 liceus do país estiveram encerrados esta sexta-feira, devido aos protestos e bloqueios organizados pelos estudantes. "Estamos a seguir com preocupação os incidentes relacionados com os protestos estudantis e os bloqueios de liceus em França, alguns dos quais se tornaram violentos", afirmou a porta-voz do organismo da ONU para os direitos humanos, Shabia Mantoo.
De acordo com o Ministério da Justiça francês, quase sete mil pessoas foram detidas desde meados de setembro, sendo 86% menores de idade. Os manifestantes, maioritariamente jovens entre os 15 e os 18 anos, exigem mais professores, horários escolares menos sobrecarregados e melhores condições nas escolas, incluindo a adaptação dos edifícios ao aumento das temperaturas.
Apesar de a maioria dos protestos ter decorrido pacificamente, registaram-se incêndios e atos de vandalismo contra abrigos de autocarro. A resposta policial, com recurso a gás lacrimogéneo, bastões e granadas de atordoamento, motivou acusações de uso excessivo da força.
As autoridades francesas já abriram 18 inquéritos internos para investigar alegadas condutas indevidas dos agentes.
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