Os trabalhadores da linha SNS24 denunciaram que as pausas para ir à casa de banho, lanchar ou até descansar estão a ser descontadas dos salário. Os profissionais acusam a Altice de manter um modelo de trabalho "insustentável".

"Se eu quiser parar meia hora para comer, não vou receber esses minutos. Tal implica que, muitas vezes, os profissionais estejam a atender durante sete ou oito horas seguidas, sem ir à casa de banho ou até sem comer", detalhou um dos trabalhadores ao Jornal de Notícias. "Somos pessoas, não máquinas. Todos os trabalhadores precisam de pausas mínimas para garantir o seu bem-estar, a sua saúde e a qualidade do trabalho", complementou outro colaborador.

O JN revelou que os operadores, a maioria enfermeiros, têm de assinalar a sua disponibilidade para atender chamadas durante o expediente. Assim, se estiverem indisponíveis é descontado o valor correspondente a esse tempo de pausa. A Altice justificou o método, sublinhando ao JN que os os operadores são, para todos os efeitos, trabalhadores independentes "que exercem esta atividade em regime de prestação de serviços", como complemento a outras atividades.

O vínculo laboral é outra das queixas dos trabalhadores, que que cumprem escalas definidas pela empresa e atuam face a uma gestão semelhante à de um contrato permanente, podendo apenas mostrar indisponibilidade para trabalhar em dias específicos. A Altice voltou a contrapor que a organização é feita "em articulação com os próprios prestadores", tendo em conta as disponibilidades e preferências apresentadas pelos profissionais.

Recorde-se que, pela primeira vez, os operadores do SNS24 aderiram à greve geral do dia 3 de junho. Os trabalhadores compilaram ainda testemunhos de 150 profissionais, que dão conta de um cenário "potencialmente crítico.