Angola já não mantém um programa de financiamento com o Fundo Monetário Internacional desde a conclusão, em 2021, do Programa de Financiamento Ampliado iniciado em 2018. A relação com a instituição passou, segundo o Governo, para um modelo centrado em aconselhamento e assistência técnica nas áreas da tesouraria, dívida pública, estatísticas, política macroeconómica e apoio ao Banco Nacional de Angola.

O executivo destaca a evolução de vários indicadores desde o período de crise. A dívida governamental, que chegou a atingir 97,5 port cento do PIB em 2020, caiu para 47% em 2025 e situou-se em 51,2% no segundo trimestre de 2026. As reservas internacionais rondam 15,3 mil milhões de dólares, equivalentes a mais de sete meses de importações, enquanto a inflação recuou para 8,78 por cento em Agosto.

O quadro continua, contudo, exigente. O serviço da dívida governamental previsto para 2026 ascende a 15,2 biliões de kwanzas, equivalente a 84% das receitas fiscais e cerca de 46 por cento do Orçamento Geral do Estado. Os subsídios aos combustíveis poderão aproximar-se de três biliões de kwanzas, mais do dobro do inicialmente orçamentado. O Governo defende, por isso, que a consolidação futura terá de depender menos de cortes e mais de crescimento económico capaz de aumentar a base de receita e reduzir o peso relativo da dívida.