O Fundo Monetário Internacional voltou a dar sinais positivos sobre o rumo seguido pela economia angolana, reconhecendo a importância da estabilidade macroeconómica alcançada e defendendo a continuidade da disciplina nas contas públicas. Ao mesmo tempo, a instituição deixa vários avisos ao governo de João Lourenço, sobretudo quanto ao risco de a melhoria do contexto externo reduzir o ritmo das reformas.

A leitura resulta da missão de avaliação pós-financiamento do FMI, realizada em Angola desde 24 de agosto e concluída a 9 de setembro. Entre as recomendações estão a continuação da consolidação orçamental, uma política monetária prudente e uma maior flexibilidade cambial, medidas que apontam mais para o aprofundamento do caminho seguido do que para uma mudança de orientação.

O principal perigo identificado pelo Fundo está na própria melhoria da situação económica. Apesar da aposta da governação de João Lourenço na diversificação económica, Angola continua fortemente dependente das receitas petrolíferas e uma nova fase de maior disponibilidade financeira poderá reduzir a pressão para acelerar a diversificação da economia. O alerta ganha peso num momento em que foram anunciados uma nova descoberta petrolífera e investimentos da TotalEnergies avaliados em dez mil milhões de dólares.

A mensagem transmitida pelo FMI é, assim, de confiança acompanhada de prudência: preservar os ganhos já obtidos, evitar desequilíbrios nas contas públicas e aproveitar a atual folga para avançar com reformas estruturais, sendo que a missão, liderada por Mika Saito, considera fundamental manter disciplina orçamental e políticas monetária e cambial cautelosas.

Para o executivo de João Lourenço, o relatório pode ser lido como um sinal favorável à estratégia de estabilização económica dos últimos anos, mas também como um aviso claro: o petróleo pode continuar a financiar o crescimento, mas não deve voltar a adiar a transformação estrutural da economia angolana.