Os ataques russos contra portos e infraestruturas ucranianas estão a provocar uma forte quebra das exportações de cereais e a aumentar as preocupações sobre a próxima colheita e o abastecimento internacional de alimentos.
Segundo dados divulgados há dias, os embarques ucranianos chegaram a cair cerca de 75 por cento em agosto, num momento em que Moscovo intensificou ataques a instalações logísticas ligadas à agricultura e à exportação.
A Ucrânia é um dos grandes produtores mundiais de trigo, milho e óleo de girassol. Desde o início da guerra, Kiev conseguiu manter parte das exportações através de corredores marítimos e rotas terrestres, apesar dos sucessivos bloqueios e ataques.
A nova ofensiva russa procura atingir precisamente essa capacidade. Ao destruir silos, terminais portuários e redes de transporte, Moscovo não prejudica apenas a economia ucraniana: cria também pressão sobre mercados alimentares internacionais, sendo que o impacto é especialmente importante para países de África e do Médio Oriente, tradicionalmente dependentes dos cereais do Mar Negro.
A estratégia demonstra como a agricultura passou a integrar a própria lógica da guerra. Portos, armazéns e navios mercantes transformaram-se em objetivos militares e o preço dos alimentos numa arma indireta.
Mais uma vez, uma batalha travada na Ucrânia ameaça chegar à mesa de milhões de pessoas a milhares de quilómetros de distância.

















