Augusto Cury tornou-se a grande surpresa da corrida à Presidência do Brasil. O candidato do Avante registou uma subida expressiva em duas pesquisas recentes e passou a ocupar um lugar de destaque na disputa pelo primeiro turno.
No levantamento BTG/Nexus, Cury saltou de 2% para 11% das intenções de voto em apenas uma semana. O crescimento de nove pontos percentuais levou o escritor e psiquiatra, pela primeira vez, para a casa dos dois dígitos e colocou-o isoladamente na terceira posição. Lula aparece com 39% e Flávio Bolsonaro com 33%.
Na pesquisa AtlasIntel, o crescimento também foi expressivo. Cury passou de 1,6% para 7,8%. O candidato aparece numericamente em terceiro, mas tecnicamente empatado com Renan Santos, que registou 7,6%, considerando a margem de erro do levantamento.
Os números não podem ser comparados diretamente, já que ambas as pesquisas utilizaram metodologias e períodos de recolha diferentes. Ainda assim, o crescimento registado nos dois levantamentos reforça a dimensão do avanço de Cury.
A subida acontece após uma semana de forte exposição pública. Cury participou no debate presidencial da Band e ganhou espaço em entrevistas televisivas. O início da propaganda eleitoral também aumentou a presença dos candidatos no debate público.
Nas redes sociais, o crescimento foi ainda mais impressionante. Cury ganhou milhões de seguidores em poucos dias e ultrapassou a marca dos 10 milhões no Instagram. O aumento da presença digital ajudou a ampliar o alcance da candidatura e a transformar a popularidade que já tinha como escritor numa maior exposição política.
O desempenho entre os mais jovens chama particularmente a atenção. Na pesquisa BTG/Nexus, Cury chega a 22% entre os eleitores dos 16 aos 24 anos e a 16% entre os 25 e os 40 anos. É justamente entre estas faixas etárias que a sua presença nas redes sociais tem maior capacidade de repercussão.
Outro dado importante é a origem de parte dos novos votos. A análise da pesquisa indica que Cury conseguiu atrair eleitores que anteriormente estavam com Lula ou Flávio Bolsonaro, além de pessoas que procuravam uma alternativa à polarização entre os dois principais candidatos.
É justamente essa posição que a campanha pretende explorar. O vice de Cury, Júlio Delgado, atribui o crescimento à capacidade de apresentar uma alternativa aos eleitores cansados da disputa entre lulistas e bolsonaristas.
A candidatura tenta, assim, ocupar um espaço que há algum tempo é procurado por diferentes nomes da política brasileira: o de uma terceira via capaz de romper a polarização.
Mas o crescimento ainda precisa de ser confirmado. Uma subida rápida nas pesquisas pode representar apenas um efeito provocado pela maior exposição mediática, especialmente quando ocorre num período de debates, entrevistas e início da propaganda eleitoral.
O próprio perfil do eleitor de Cury também representa um desafio. Parte significativa dos seus apoiantes ainda pode estar menos consolidada na escolha do que os eleitores dos dois líderes da corrida. Por isso, manter os números nas próximas pesquisas será fundamental para perceber se existe uma candidatura realmente competitiva ou apenas uma onda momentânea.
Por enquanto, contudo, o cenário mudou. Augusto Cury deixou de ser um nome secundário na corrida presidencial e passou a disputar o espaço de principal alternativa à polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro.
A eleição continua dominada pelos dois líderes, mas Cury conseguiu algo que poucos candidatos alcançaram nesta fase: transformar notoriedade em crescimento rápido nas pesquisas e colocar a chamada terceira via novamente no centro da disputa.

















