A economia brasileira perdeu velocidade no segundo trimestre de 2026, num sinal de alerta para o Governo a pouco mais de um mês das eleições presidenciais. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística revelam que o Produto Interno Bruto cresceu 0,5% entre abril e junho, abaixo dos 1,1 por cento registados nos primeiros três meses do ano.
Apesar de o país manter uma trajetória de expansão — este foi o 21.º trimestre consecutivo de crescimento —, os números mostram um desempenho desigual. A agropecuária avançou 2,8%, impulsionada sobretudo pelas culturas da soja e do café. A indústria cresceu apenas 0,1% e os serviços, responsáveis pela maior parte da economia brasileira, aumentaram 0,2%.
O sinal mais preocupante veio do consumo das famílias, que recuou 0,4% por cento relativamente ao trimestre anterior. Os juros elevados, o endividamento e as restrições ao crédito reduziram a capacidade de compra dos brasileiros, apesar da resistência demonstrada pelo mercado de trabalho.
O investimento produtivo aumentou 1,2%, mas também perdeu força. As exportações diminuíram 0,8%, enquanto as importações cresceram 1,8%. Em valores correntes, o PIB atingiu 3,4 biliões de reais.
A desaceleração cria um problema político para Lula, que procura chegar às eleições com uma narrativa económica favorável. O Governo tem lançado medidas de estímulo, mas o Banco Central mantém uma política monetária restritiva para conter a inflação. O Brasil continua a crescer; a questão é saber se esse crescimento chega ao bolso das famílias antes da votação.

















