O Encontro Internacional da Indústria da Construção (ENIC) 2026 em São Paulo, arrancou com a participação central de Lula da Silva, de 80 anos. Sendo o evento técnico mais antigo e relevante do setor no Brasil – promovido pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) –, o ENIC reúne anualmente empresários, líderes políticos e especialistas para debater inovação, sustentabilidade e políticas públicas.
No seu discurso de abertura em São Paulo, o chefe de Estado sublinhou que a construção civil é um motor imprescindível para o desenvolvimento económico e social do país, aproveitando o palco para exigir maior agilidade nos investimentos estruturais.
Durante a sua intervenção, Lula mostrou-se fortemente indignado com os entraves burocráticos que estão a travar o programa 'Reforma Casa Brasil', que conta com uma linha de crédito de 30 mil milhões de reais sob a gestão da Caixa Económica Federal. O governante adiantou ainda que pretende reunir-se com o presidente da instituição bancária pública na próxima semana para acelerar a libertação destas verbas e garantiu que o seu executivo vai analisar e responder a todas as reivindicações entregues pelos empresários do setor.
O peso do Minha Casa, Minha Vida no setor
Historicamente, o programa federal de habitação popular 'Minha Casa, Minha Vida' funciona como a principal força motriz da construção civil brasileira, sendo responsável por alavancar uma fatia substancial dos investimentos em habitação de interesse social e por garantir elevados índices de empregabilidade. Diante da plateia de empresários, o Presidente destacou que o seu governo melhorou significativamente as condições de moradia e a qualidade dos imóveis entregues, ironizando que "as pessoas pobres também gostam de coisas boas".
Financiamento Público e a ironia com o Banco Master
Um dos momentos de maior repercussão no discurso ocorreu quando Lula abordou a capacidade de investimento do Governo Federal. Numa declaração direta ao mercado financeiro, o Presidente ironizou ao afirmar que o seu executivo "não utiliza dinheiro do Banco Master" para financiar as obras públicas. A piada serviu de gancho para o chefe de Estado enaltecer o trabalho do Ministério do Planeamento e Orçamento.
Lula elogiou publicamente a competência da pasta do Planeamento em encontrar recursos dentro do Orçamento Geral da União, viabilizando os investimentos necessários para as grandes obras de infraestrutura e habitação sem depender de manobras ou de auxílio de instituições financeiras privadas específicas. Segundo o governante, a articulação do ministério é o que garante a solidez dos projetos lançados pelo governo.
Escala 6x1 e pautas sociais
Lula procurou também tranquilizar o setor patronal em relação ao debate sobre o fim da jornada laboral de 6x1, defendendo que qualquer alteração deve respeitar os funcionários, sem imposições arbitrárias, e ser ajustada de acordo com as necessidades de cada categoria profissional.
No plano social, o Presidente assumiu uma postura combativa em duas frentes:
- Igualdade Salarial: Criticou severamente o facto de as mulheres ainda ganharem menos do que os homens e defendeu a aplicação rigorosa da nova lei de igualdade de remuneração.
- Combate à Violência: Reafirmou o compromisso total do Governo na luta contra a violência doméstica e de género.
O governante encerrou a sua participação desejando "boa sorte" a toda a cadeia produtiva da construção civil brasileira.

















