A Iniciativa Liberal (IL) apresentou um projeto de lei que prevê dias extra de férias para quem doar sangue regularmente, de maneira a incentivar a dádiva e reconhecer os dadores.

A proposta estabelece que os cidadãos que doem sangue duas vezes por ano passem a ter direito a mais um dia de férias, enquanto aqueles que realizem três ou mais dádivas anuais possam beneficiar de dois dias adicionais.

"Como forma de também agradecermos e reconhecermos os dadores de sangue e as pessoas que se disponibilizam a isso, a Iniciativa Liberal apresentou uma proposta exatamente no sentido de fazer esse agradecimento. Uma pessoa que dê duas vezes por ano sangue tem direito a mais um dia de férias, se der mais de três vezes tem direito a dois dias de férias", explicou Mariana Leitão.

A líder liberal falou aos jornalistas após doar sangue no Instituto Português do Sangue e da Transplantação, em Lisboa, acompanhada pela deputada Joana Cordeiro e outros membros do partido.

Segundo Mariana Leitão, a iniciativa pretende não só valorizar os dadores, mas também alertar para a necessidade de aumentar o número de dádivas no País.

Questionada sobre anteriores abstenções da IL em propostas semelhantes apresentadas pelo Bloco de Esquerda (BE) e pelo PAN, a dirigente explicou que os projetos eram diferentes: "Nós optámos por outra solução porque achamos que é o que faz mais sentido, porque se toda a gente de uma empresa for dar sangue no mesmo dia, certamente isso coloca um problema adicional às empresas", justificou.

O projeto de lei prevê ainda que os dias adicionais de férias sejam marcados de acordo com as regras laborais em vigor e dependam da apresentação de um comprovativo emitido pela entidade pública responsável pela recolha de sangue.

Também presente, a presidente do Instituto Português do Sangue e da Transplantação, Maria Antónia Escoval, lembrou que os hospitais portugueses necessitam diariamente de cerca de 1.100 unidades de sangue e componentes sanguíneos.

"Precisamos de uma dádiva regular e continuada ao longo do tempo", alertou a responsável, sublinhando que a recolha de sangue em Portugal se mantém estável, embora tenha apelado aos dadores para contribuírem antes do período de férias de verão.

Maria Antónia Escoval recordou ainda que a dádiva pode ser feita por pessoas entre os 18 e os 70 anos, desde que esteja saudável, acrescentando que cada recolha pode “salvar objetivamente três vidas”.

Já Mariana Leitão procurou tranquilizar quem receia o processo de doação: "Qualquer pessoa chega aqui e eu tenho a certeza que em 15, 20 minutos, entre fazer a admissão, dar sangue, fica despachada e a seguir ainda tem direito ali a uns bolinhos e uns suminhos para recuperar", afirmou, garantindo que "a agulha não é assim tão grande" e que o gesto "salva vidas".