Benjamim Costa Pereira passou da Câmara de Esposende para a presidência do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU), mas manteve a militância à vista. Defensor de Luís Montenegro, de quem é um aplicado ‘escudeiro’, e com cujo escritório de advocacia manteve relações profissionais, combina a direção de um organismo central na resposta à crise habitacional com intervenções partidárias e ataques aos críticos do primeiro-ministro, como foi o caso de Pedro Passos Coelho, a quem não hesitou de chamar de “covarde”.
Licenciado em Arquitetura e Urbanismo e bacharel em Engenharia, trabalhou na construção e no imobiliário antes de consolidar o percurso autárquico. Foi vice-presidente de Esposende e liderou a Câmara entre 2013 e 2024. Nesse setembro, já no último mandato permitido, sem possibilidade de se reeleger, o Governo escolheu-o para o IHRU.
A ligação ao universo profissional de Montenegro tornou-se notícia através da Zendensino, cooperativa de ensino participada pelo município, cuja assembleia-geral presidiu durante mais de uma década. Em 2018 e 2020, a instituição contratou, por ajuste direto, a Sousa Pinheiro & Montenegro, o escritório de advocacia de que então o agora primeiro-ministro era sócio, por 12 mil e 19.900 euros. O PSD de Esposende negou qualquer intervenção de Pereira, atribuindo as decisões ao conselho de administração da cooperativa.
Na defesa política do primeiro-ministro, o tom de Benjamim Pereira é combativo. Em março, atacou Pedro Passos Coelho, antigo líder que antes admirava, recorrendo às expressões “cobarde e vingativo”. Na altura, em Março deste ano, escreveu no seu perfil de Facebook: “Com as letras todas, o que Passos Coelho está a fazer é uma canalhice, um ato cobarde e vingativo contra Montenegro, porque sabe que Montenegro está a conseguir fazer aquilo que ele sonhava fazer, mas não conseguiu”.
Durante a polémica da Spinumviva, a polémica empresa familiar do chefe do governo que chegou a ser referenciada como tendo prestado serviços a Zendensino, também denunciou uma perseguição a Montenegro e à família.
A presidência do IHRU não o afastou das campanhas: participou em iniciativas da AD e foi candidato à Assembleia Municipal de Esposende em 2025, apesar de ter anunciado o afastamento da política local.
Agora, foi a sua dúvida sobre a disponibilidade das novas gerações para fazer sacrifícios pela casa que o colocou sob fogo. Pinto Luz classificou as declarações como “absolutamente infelizes”, obrigando-o a explicar sobre as mesma, mas curiosamente Hugo Soares, o líder parlamentar dos social-democratas, saiu em sua defesa.
No fim de contas, Benjamim Pereira, hoje inevitavelmente sob escrutínio público, reconheceu expressões infelizes e o ministro acabou por manter a confiança, continuando assim à frente do IHRU, um cargo em que Luís Montenegro se empenhou pessoalmente em nomeá-lo.

















