A estratégia de internacionalização da Galp, consolidada sob a presidência de Paula Amorim, está a revelar-se uma das apostas mais importantes da história da empresa. Os investimentos no Brasil e na Namíbia transformaram a petrolífera portuguesa num protagonista do sector energético mundial, enquanto a aposta no hidrogénio verde abre caminho a uma nova geração de energia produzida em Portugal.

Os números ajudam a compreender a dimensão desta transformação. Só no primeiro semestre de 2026, a Galp alcançou lucros ajustados de 812 milhões de euros, beneficiando sobretudo do crescimento da produção petrolífera no Brasil. Cerca de 90 por cento do EBITDA da empresa é atualmente gerado fora de Portugal, evidenciando o peso decisivo da internacionalização.

O Brasil constitui o exemplo mais evidente do sucesso desta estratégia. Com investimentos acumulados de aproximadamente 12 mil milhões de euros na exploração e produção, a Galp consolidou uma posição entre os principais produtores petrolíferos daquele país, tendo-se consolidado entre os cinco maiores produtores empresariais de petróleo do Brasil, à frente de várias multinacionais de dimensão mundial. A entrada em funcionamento do campo de Bacalhau, em outubro de 2025, veio reforçar essa posição, com uma contribuição potencial de 40 mil barris diários adicionais.

A aposta na Namíbia

Na Namíbia, a descoberta de petróleo em Mopane abriu uma nova frente estratégica. A parceria estabelecida com a TotalEnergies, concluída em setembro, permitiu à Galp manter 40 por cento daquele projeto e adquirir participações em outros dois blocos, incluindo o promissor Venus. Trata-se de uma aposta com enorme potencial, embora ainda dependente de novas avaliações e decisões de investimento.

A parceria com a TotalEnergies   permitiu à Galp adquirir participações em outros dois blocos, um dos quais o promissor Venus.

Mas a estratégia liderada por Paula Amorim não se esgota nos combustíveis fósseis. Veja-se o caso de Sines, onde a Galp está a concretizar um investimento de cerca de 250 milhões de euros numa unidade de produção de hidrogénio verde com 100 megawatts de capacidade. A instalação permitirá produzir até 15 mil toneladas anuais de hidrogénio renovável, substituindo cerca de 20 por cento do hidrogénio convencional utilizado na refinaria e evitando aproximadamente 110 mil toneladas de emissões de CO₂ equivalente por ano, sendo que a estes investimentos junta-se também uma unidade de biocombustíveis avançados, reforçando a transformação industrial de Sines.

O papel de Paula Amorim

A importância desta estratégia ultrapassa, porém, os resultados financeiros. Embora as reservas petrolíferas no estrangeiro não constituam reservas estratégicas nacionais sob controlo do Estado português, reforçam a capacidade económica, a diversificação de ativos e a resiliência de uma empresa central para o abastecimento energético do país.

A afirmação internacional da Galp consolidou-se durante a liderança de Paula Amorim

Estes resultados da Galp refletem uma estratégia de investimento que permitiu à empresa consolidar a sua presença nos principais mercados internacionais de produção petrolífera, diversificar as fontes de receita e, simultaneamente, avançar com projetos de descarbonização em Portugal.

Sob a presidência de Paula Amorim, a petrolífera portuguesa reforçou o seu peso no sector energético internacional, ao mesmo tempo que manteve no país investimentos industriais determinantes, com destaque para a modernização da refinaria de Sines e a produção de hidrogénio verde. Uma combinação que ganha particular importância num contexto de crescente preocupação com a segurança e a autonomia energética europeias.