A corrida à Presidência do Brasil coloca frente a frente candidatos separados não apenas pela ideologia e pelas intenções de voto, mas também por enormes diferenças patrimoniais.

As declarações entregues à Justiça Eleitoral mostram que sete dos candidatos possuem patrimónios superiores a um milhão de reais e quatro ultrapassam os 50 milhões. No topo surge, destacado, o escritor e psiquiatra Augusto Cury, candidato do Avante, com bens avaliados em 242,28 milhões de reais, cerca de 40,5 milhões de euros.

Cury, que disputa pela primeira vez um cargo político, construiu grande parte da fortuna através das suas empresas, imóveis e direitos relacionados com a atividade de escritor. Logo atrás aparece o antigo governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), que declarou 178,7 milhões de reais — cerca de 29,85 milhões de euros. Em 2022, Zema declarara 154,9 milhões de reais, pelo que o património cresceu aproximadamente 15,4%.

O terceiro lugar pertence a Ronaldo Caiado (PSD). O antigo governador de Goiás declarou 52,56 milhões de reais, equivalentes a cerca de 8,78 milhões de euros. É um salto significativo face aos 29,71 milhões declarados em 2022. Grande parte da riqueza está concentrada em propriedades rurais e criação de gado.

Muito próximo encontra-se o veterinário Wilson Grassi (Democrata), com um património declarado de 50 milhões de reais, aproximadamente 8,35 milhões de euros.

Bem abaixo destes valores surge Flávio Bolsonaro (PL). O filho do antigo Presidente Jair Bolsonaro declarou 8,18 milhões de reais — cerca de 1,37 milhões de euros. Em 2018 declarara 2,6 milhões, o que significa que o património mais do que triplicou. Entre os bens encontra-se uma casa em Brasília avaliada em 6,2 milhões de reais.

O atual Presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apresenta uma evolução em sentido contrário. Lula declarou 4,78 milhões de reais, aproximadamente 798 mil euros, contra 8,87 milhões em 2022: uma redução de cerca de 46 por cento. A maior parcela encontra-se aplicada em planos de previdência privada.

Segue-se Clariana Barão (DC), com 1,8 milhões de reais — cerca de 301 mil euros. Abaixo da fasquia do milhão de reais aparecem Renan Santos (Missão), com 795 mil reais (133 mil euros), Edmilson Costa (PCB), com 454 mil reais (76 mil euros), e Samara Martins (UP), que declarou apenas 33 mil reais, pouco mais de 5.500 euros.

As declarações mostram assim uma diferença gigantesca entre os extremos da corrida presidencial. O património de Augusto Cury é mais de sete mil vezes superior ao declarado por Samara Martins. E, num dado politicamente curioso, o candidato mais rico não está entre os favoritos das sondagens: enquanto Cury surge com valores residuais, Lula e Flávio Bolsonaro concentram a disputa eleitoral. Uma das pesquisas mais recentes coloca Lula com 38 por cento, mais 7 pontos percentuais do que Flávio nas intenções de voto na primeira volta.

No Brasil, as declarações patrimoniais dos candidatos são apresentadas ao Tribunal Superior Eleitoral e tornam-se públicas. Não representam necessariamente o valor de mercado atual de todos os ativos, mas permitem perceber a dimensão e a evolução da riqueza declarada por quem pretende chegar ao Palácio do Planalto.