A economia brasileira começa a dar sinais mais evidentes de perda de velocidade e vários economistas já consideram difícil que o Produto Interno Bruto cresça mais de 2 por cento em 2026. A previsão oficial do governo de Lula da Silva e do Fundo Monetário Internacional está a ser colocada em causa pelos últimos indicadores do comércio, serviços e indústria, que mostram os efeitos de uma política monetária ainda fortemente restritiva.

O comércio a retalho avançou apenas 0,5% em junho face ao mês anterior, enquanto o retalho alargado — que inclui automóveis, materiais de construção e comércio grossista de produtos alimentares — recuou 1%, acumulando quatro meses consecutivos de quedas. Os serviços estagnaram e a produção industrial caiu 1,8 por cento, naquele que foi o segundo resultado negativo consecutivo das fábricas.

A principal explicação está nos juros. O Banco Central reduziu recentemente a Selic para 14%, mas continua a considerar necessário manter uma política apertada para conter as pressões inflacionistas. A MB Associados prevê agora um crescimento de apenas 1,7% em 2026, enquanto a Buysidebrazil aponta para 1,9%. A XP mantém uma projeção de 2%, mas antecipa apenas 1% em 2027.

Se as previsões mais pessimistas se confirmarem, 2026 poderá tornar-se o primeiro ano desde a pandemia em que o PIB brasileiro cresce menos de 2%.