As relações entre Washington e Brasília atravessam um dos períodos mais delicados das últimas décadas. Uma operação norte-americana que previa o envio de três bombardeiros estratégicos B-52H Stratofortress, com capacidade nuclear, para exercícios com Chile e Argentina acabou adiada, mas causou inquietação no Brasil. Segundo a Folha de S.Paulo, a missão é interpretada por fontes brasileiras no contexto da crescente pressão da administração Trump sobre o Governo de Lula da Silva.

Os três B-52 deveriam partir da base de Minot, no Dakota do Norte, apoiados por sete aviões de reabastecimento, e operar com forças aéreas de dois países governados por aliados de Donald Trump. A missão, que poderia prolongar-se durante 29 horas, terá sido suspensa devido a “outras exigências operacionais”, segundo o Comando Sul norte-americano, mas deverá ser retomada. A presença dos bombardeiros na América Latina não seria inédita, embora nunca tenham operado tão a sul nestas circunstâncias.

O episódio ganha dimensão política porque coincide com um forte agravamento das relações entre Trump e Lula. Washington sobretaxou produtos brasileiros e chegou a retirar o visto à representante brasileira nos Estados Unidos. Lula, por seu lado, anunciou que só analisará depois das eleições a indicação de Daniel Pérez para embaixador norte-americano, criticando Washington por ter anunciado o nome antes de receber o indispensável agrément brasileiro.