Os investidores estrangeiros estão a acelerar a retirada de dinheiro dos ativos brasileiros à medida que aumentam as preocupações com as eleições presidenciais, as contas públicas e o desempenho das empresas.

Segundo o jornal brasileiro Valor Econômico, a bolsa registou num único dia uma saída líquida de 4,7 mil milhões de reais (cerca de 780  milhões de euros), o maior movimento desde abril de 2021, sendo que  desde abril, a retirada acumulada já ronda 32 mil milhões, mais de 5 mil milhões de euros.

O movimento representa uma inversão da forte entrada de capital observada no primeiro trimestre do ano. Embora o saldo acumulado de 2026 continue positivo, gestores admitem que poderá tornar-se negativo caso a tendência se mantenha.

O JPMorgan reduziu, entretanto, a recomendação para ações brasileiras, citando o aumento do risco eleitoral. Só em agosto, investidores estrangeiros retiraram cerca de 11,9 mil milhões de reais da bolsa, perto de 2 mil milhões de euros.

A deterioração dos resultados empresariais também pesa: Hapvida, Banco do Brasil e outras grandes companhias sofreram fortes quedas após apresentarem balanços abaixo das expectativas, sendo que alguns analistas consideram que parte da saída resulta de um reajustamento internacional de carteiras e não exclusivamente da política brasileira. Mesmo assim, admitem que o risco fiscal ainda poderá não estar totalmente refletido nos preços.

A pouco tempo das eleições, o Brasil enfrenta um velho problema: convencer investidores de que a próxima disputa política não se transformará numa nova crise económica.