As taxas cobradas pela utilização do Canal do Panamá estão a subir num momento em que duas crises distintas — a guerra envolvendo o Irão e os efeitos do El Niño — estão a pressionar uma das mais importantes rotas comerciais do mundo.

A combinação entre maior procura de determinadas rotas, perturbações no Médio Oriente e limitações provocadas pelas condições meteorológicas está a aumentar os custos para as companhias de navegação.

O canal depende de enormes quantidades de água doce para movimentar as eclusas. Períodos de seca obrigam as autoridades a limitar o número de navios e, em alguns casos, a profundidade máxima permitida. Com menos vagas disponíveis, o preço para atravessar tende a aumentar. Paralelamente, a instabilidade nas rotas do Médio Oriente está a levar operadores a procurar alternativas, aumentando a pressão sobre outros corredores marítimos.

O aumento das tarifas acaba inevitavelmente por chegar ao consumidor. Quanto mais caro fica transportar contentores, petróleo, cereais ou automóveis, maior é a pressão sobre os preços finais.

A situação confirma a crescente vulnerabilidade do comércio global: uma guerra a milhares de quilómetros e a falta de chuva na América Central podem combinar-se para alterar os custos de cadeias de abastecimento em todo o planeta.