O antigo chefe de gabinete do Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como “Marcola”, viu o seu nome surgir no centro de uma investigação da Polícia Federal, depois de terem sido identificadas transferências financeiras efetuadas pela lobista Roberta Luchsinger, também investigada por alegados esquemas de tráfico de influência. Segundo informações divulgadas pela imprensa brasileira, os pagamentos ascendem a dezenas de milhares de reais, embora o montante exato e a sua finalidade permaneçam por esclarecer.

Marcola deixou o Palácio do Planalto a 21 de julho para integrar a campanha de recandidatura de Lula à Presidência. Contudo, fontes citadas por órgãos de comunicação social brasileiros sustentam que a saída poderá estar relacionada com a descoberta dessas movimentações financeiras. Em resposta, o antigo chefe de gabinete garantiu tratar-se apenas de um empréstimo pessoal, entretanto liquidado, rejeitando qualquer ilegalidade ou conflito com as funções que desempenhava.

O caso insere-se numa investigação mais vasta que continua a colocar Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, sob escrutínio da Polícia Federal. Roberta Luchsinger, amiga e parceira de negócios do filho do Presidente, realizou dezenas de visitas a organismos do Governo Federal entre 2023 e 2024, a maioria sem registo nas agendas oficiais, incluindo deslocações ao Palácio do Planalto.

As autoridades investigam ainda alegadas ligações entre Lulinha, a empresa tecnológica 3Structure IT e o empresário Cleber Ribas de Oliveira. A empresa recebeu cerca de 1,5 milhões de reais do lobista António Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, tendo posteriormente transferido 150 mil reais para uma sociedade pertencente a Roberta Luchsinger.

Perante os novos indícios, a Polícia Federal pediu pela terceira vez ao Supremo Tribunal Federal a abertura de um inquérito para investigar Lulinha por suspeitas de tráfico de influência. O processo ficará sob a relatoria do ministro Flávio Dino. A defesa do filho de Lula rejeita todas as suspeitas, classificando a sucessão de investigações como uma “piada” e negando qualquer prática ilícita.