O projeto televisivo Conta Lá continua formalmente no ar, mas o retrato financeiro e operacional do projeto está longe das promessas com que foi lançado. Segundo informações confirmadas pelo 24Horas, o canal terá consumido mais de 5 milhões de euros em aproximadamente um ano e a emissão é hoje composta única e exclusivamente por repetições.

Enquanto aos muitos credores está a ser proposta uma redução de 50 por cento das dívidas, com o restante pago em 36 prestações, Maurício Ribeiro, apontado como, a par de Sérgio Figueiredo, como o principal responsável pela gestão desastrosa e falhanço do projeto, mantém presença na gestão diária, argumentando e invocando a condição de acionista meioritário para fazer prevalecer as suas decisões.

O percurso empresarial de Maurício Ribeiro ajuda a explicar as interrogações. Ligado à Just Up, produtora que deixou pagamentos em atraso durante a produção de Ministério do Tempo e entrou em insolvência em 2018, tendo um dos administradores o acusado de desvios de verbas; a sua empresa Mau Mau Mia, surgiu associada a vários processos de execução de dívidas, para além das diversas acusações de burla surgidas nas redes sociais que, enquanto fotografo de casamentos, Ribeiro foi alvo por parte de alguns clientes.

Quatro figuras de proa de um projeto televisivo hoje moribundo: os jornalistas Rita Ferro Rodrigues, hoje dedicada a promover nas redes uma marca de caixas de areia para gatos, Paulo Salvador, que já anunciou ter processado o Conta Lá; e os ‘patrões’ Sérgio Figueiredo e Maurício Ribeiro

Empresário do Norte empresta meio-milhão

O 24Horas apurou que um empresário do Norte tem acorrido a necessidades mais prementes do Conta Lá, nomeadamente a ameaça de corte de sinal, tendo já colocado, a título de empréstimo, mais de meio milhão de euros no projeto há muito moribundo, e a quem as promessas do antigo jornalista Paulo Rego, que há algumas semanas se apresentou como ‘salvador’, em injetar 2 milhões de euros angariados em Macau, tardam em ser concretizadas. Aliás, o 24Horas apurou que o empresário macaense Kevin Ho, a quem Rego está há muito ligado, já deixou bem claro a quem o quis ouvir que não está disposto a investir “um único cêntimo” no Conta Lá.

Houve ainda, apurou o nosso jornal, uma tentativa, sem sucesso, de entregar o projeto à Media Capital, uma hipótese que rapidamente se gorou, dada a falta de interesse daquele grupo em assumir um projeto que tem acumulado prejuízos, ações em tribunal, e que, até pelo envolvimento de Mauricio Ribeiro, possui graves problemas a nível reputacional.

Mas há outra interrogação entre os muitos lesados deste projeto: Sérgio Figueiredo saiu mesmo? O antigo CEO anunciou em julho o abandono da liderança, numa atitude interpretada por muitos como uma “deserção”. Mas a verdade é que o 24Horas sabe que Figueiredo continua a contactar alguns dos credores e lesados deste processo. Embora isso não permita concluir que mantenha funções executivas, deixa, no entanto, uma pergunta: que papel continuará, ou não, Figueiredo a desempenhar, agora longe dos holofotes?

Apesar de ter abandonado a administração do Conta Lá, Sérgio Figueiredo continua a ser sócio do projeto, e chega mesmo a enviar mensagens a alguns dos lesados pela sua gestão

Entretanto, sucedem-se ações e pedidos de injunção de trabalhadores. O Conta Lá continua a emitir. Mas continua, sobretudo, à procura de dinheiro — e de uma saída. Cada vez mais longínqua e que, tudo o indica, apenas Maurício Ribeiro e o agora seu parceiro Paulo Rego, parecem acreditar...