O canal Conta Lá atravessa uma crise financeira severa. A maioria dos trabalhadores não recebeu os salários de maio e a administração não consegue garantir uma data certa para o pagamento, apontando 31 de julho como prazo, mas sem certezas absolutas.

Para evitar o que o próprio presidente executivo, Sérgio Figueiredo, classifica como um “colapso drástico e definitivo”, a empresa vai avançar com um processo de lay-off imediato. A medida suspende temporariamente os contratos ou reduz os horários, com o Estado a assegurar entre 60% a 70% da remuneração dos trabalhadores afectados através da Segurança Social., desde que a empresa não tenha dívidas à Segurança Social, condição obrigatória para aceder ao mecanismo, algo que os trabalhadores virão a tirar a limpo muito brevemente.

Figueiredo, antigo director de informação da TVI, reconhece em email enviado aos trabalhadores na sexta-feira que a empresa não tem condições para exigir trabalho normal a quem não está a ser pago. Libertou-os das obrigações contratuais a partir desta segunda-feira e garantiu cooperação com quem queira sair para procurar emprego com rendimento imediato.

O canal, que emite no cabo desde 2025 com foco no jornalismo de proximidade e nas regiões, foi autorizado pela ERC com a promessa de criar 205 postos de trabalho em todo o país, incluindo ilhas. Menos de um ano depois, a sobrevivência do projecto está em causa, pelo menos até setembro, data em que Figueiredo diz contar com financiamento para relançar o Conta Lá “tal qual ele foi pensado”. Num outro ponto da comunicação do CEO aos trabalhadores é- lhe dito que nas próximas 12 semanas é “crítico” encontrar uma grelha de programas que, “de forma inteligente e a baixo custo, crie a sensação de que há sempre algo de novo a cada dia”: algo que será uma autêntica novidade num projecto televisivo que neste mês de junho teve uma média de 500 espectadores.