A dívida pública brasileira deverá ultrapassar o valor de toda a riqueza produzida anualmente pelo país em 2034, um ano mais cedo do que anteriormente previsto pelos economistas consultados pelo Banco Central. Nesse cenário, o endividamento bruto aproximar-se-á dos 15 biliões de reais nos próximos oito anos.
As projeções do mercado indicam que a dívida, atualmente equivalente a 82,5 por cento do Produto Interno Bruto, poderá atingir 100,1% do PIB em 2034. Já o Fundo Monetário Internacional utiliza uma metodologia diferente e apresenta uma perspetiva ainda mais preocupante: estima que a barreira dos 100% seja ultrapassada já no próximo ano. Segundo o FMI, o rácio encontra-se atualmente nos 95,4%.
O Brasil enfrenta dificuldades acrescidas porque não dispõe das vantagens de economias desenvolvidas com elevados níveis de endividamento, como moedas fortes, maior poupança interna e juros mais baixos. Além de elevada e crescente, a dívida brasileira é considerada cara.
Para estabilizar a trajetória, os economistas calculam que seria necessário alcançar um excedente orçamental primário próximo de 3% do PIB. Isso representaria uma margem de aproximadamente 400 mil milhões de reais antes do pagamento dos juros. Contudo, a desaceleração económica poderá reduzir a arrecadação fiscal, enquanto o Congresso não mostra disponibilidade para aprovar novos aumentos de impostos.
















