O memorial às vítimas do descarrilamento do Elevador da Glória é inaugurado esta quinta-feira, dia 3, no Largo da Oliveirinha, junto à Calçada da Glória, exatamente um ano depois do acidente que provocou 16 mortos e 24 feridos, de 15 nacionalidades, revelou a Câmara Municipal de Lisboa.
Um ano volvido, a investigação ao acidente continua em curso e a maioria dos processos de indemnização às vítimas permanece por concluir: dos 40 processos abertos junto das famílias das vítimas mortais e dos sobreviventes, apenas quatro estão fechados, faltando resolver 36.
O Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF) informou há duas semanas que o relatório final sobre as causas do acidente não estará concluído em setembro, como estava previsto, devido à complexidade das perícias técnicas. A nova estimativa aponta para o final do primeiro trimestre de 2027.
Quanto ao inquérito do Ministério Público, que corre em segredo de justiça, a Procuradoria-Geral da República reiterou em agosto, em resposta à Lusa, que continuam a ser realizadas "todas as diligências, designadamente periciais, destinadas a apurar a responsabilidade pela ocorrência". A PGR não respondeu se existem já arguidos constituídos no processo.
Segundo a seguradora da Carris, a Fidelidade, todas as vítimas "permanecem sem a situação clínica definitivamente consolidada", indicação avançada a 27 de agosto.
Na segunda-feira desta semana, a Câmara Municipal de Lisboa e a Carris apresentaram a solução prevista para o futuro ascensor da Glória: um "novo sistema" que garantirá "toda a segurança", mantendo a integração patrimonial do equipamento, inaugurado em 1885, na Calçada da Glória. Está previsto o lançamento de um concurso público internacional de conceção até final de março de 2027, com o novo equipamento a entrar em funcionamento em 2029.
Questionado a 31 de agosto sobre a concretização de um memorial na Calçada da Glória, à margem da apresentação da solução para o futuro ascensor, o vice-presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Gonçalo Reis (PSD), respondeu: "O memorial será tratado na devida altura, portanto, quando ocorrer, digamos, um ano do acidente." Dois dias depois, a 2 de setembro, a Câmara Municipal confirmou que o memorial seria inaugurado já no dia seguinte, hoje, 3 de setembro, no Largo da Oliveirinha. Vereadores da oposição afirmam não ter recebido informação detalhada sobre a concretização do memorial.
À exceção do Elevador da Glória, os restantes equipamentos históricos geridos pela Carris estão parados desde o acidente, sem data de reabertura. A única exceção é o Funicular da Graça, reaberto ao público a 30 de abril de 2026, após validação de todas as condições de segurança aplicáveis. A Carris lançou, no final de agosto, uma página online com o ponto de situação de todos os equipamentos sob a sua tutela, sublinhando que "não existe uma data fechada para a reabertura da totalidade dos equipamentos".
O Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários e Urbanos de Portugal mantém as críticas à externalização da manutenção dos ascensores e afirma continuar a aguardar respostas da Câmara Municipal de Lisboa e da Carris sobre o acidente.
O descarrilamento ocorreu a 3 de setembro de 2025, cerca das 18h00, quando a cabine 1 do Elevador da Glória saiu dos carris e colidiu com um poste e a parede de um edifício na Calçada da Glória. Entre as 16 vítimas mortais contavam-se sobretudo turistas estrangeiros, mas também cinco portugueses: o guarda-freio André Marques, que operava a cabine, e quatro trabalhadores da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa que utilizavam o transporte público.
















