O Governo espanhol decidiu prolongar até 2030 a vida útil da central nuclear de Almaraz, na Extremadura, alterando o calendário previsto para o encerramento e reabrindo uma discussão com consequências que ultrapassam as fronteiras espanholas. A central situa-se a pouco mais de uma centena de quilómetros de Portugal e tem sido, durante décadas, alvo de preocupação de ambientalistas portugueses.
A decisão é justificada pelo governo de Pedro Sánchez com a necessidade de garantir segurança no abastecimento e estabilidade do sistema elétrico, num contexto internacional marcado pela guerra no Irão e pelas incertezas energéticas, enquanto a ministra espanhola da Transição Ecológica, Sara Aagesen, insiste que se trata de uma extensão limitada e não de uma alteração definitiva da estratégia de abandono progressivo da energia nuclear.
O problema é que a decisão divide profundamente Espanha. As empresas proprietárias defendem a continuidade da central, enquanto organizações ambientalistas acusam o Executivo de ceder à pressão do setor nuclear. Também dentro da esquerda espanhola existem fortes resistências.
Almaraz tem dois reatores e desempenha um papel relevante na produção elétrica espanhola. O calendário anteriormente previsto apontava para o encerramento progressivo das unidades antes do final da década.
Para Portugal, a questão não é indiferente. Pela proximidade geográfica e pela ligação dos sistemas elétricos ibéricos, qualquer decisão sobre Almaraz possui também uma dimensão portuguesa — ambiental, energética e política.


















