A erva-das-pampas, durante anos usada para decorar jardins e casas, está a tornar-se uma ameaça ambiental em Portugal. A Cortaderia Selloana é uma espécie invasora já identificada em pelo menos 208 municípios do continente e com uma presença cada vez mais expressiva, sobretudo no litoral.

A facilidade com que se reproduz ajuda a explicar o avanço. As plantas podem produzir milhares de sementes, posteriormente transportadas pelo vento para novos locais. A propagação também pode acontecer através de veículos, roupa ou das próprias plumas, frequentemente utilizadas em decoração.

Quando se concentra em grandes áreas, a espécie pode impedir o desenvolvimento de outras plantas e dificultar a circulação de animais. A presença de exemplares de grandes dimensões aumenta ainda os custos de manutenção da vegetação.

O impacto não é apenas ambiental. Por pertencer à família das gramíneas, a erva-das-pampas liberta grandes quantidades de pólen e pode provocar sintomas em pessoas alérgicas.

A polinização pode prolongar-se pelo final do verão e pelo outono, aumentando o período de exposição ao pólen. Entre os possíveis sintomas estão espirros, congestão nasal, comichão e irritação dos olhos. Em pessoas com asma, a exposição poderá agravar os problemas respiratórios.

Não existem, contudo, dados que permitam determinar quantos casos de alergia em Portugal estão especificamente relacionados com esta espécie.

A cortadéria faz parte da lista nacional de espécies invasoras desde 2019, o que impede a sua plantação, comercialização e introdução na natureza. Apesar disso, continuam a existir exemplares em jardins privados, espaços municipais e margens de estradas.

Os especialistas defendem que os exemplares isolados e os pequenos núcleos devem ser removidos rapidamente, antes de produzirem novas sementes. Nas zonas onde a espécie já ocupa grandes áreas, o controlo será mais difícil e dispendioso.

A remoção deve ser feita antes da libertação das sementes e diretamente pela raiz. Cortar apenas as plumas não é suficiente para travar a expansão.

Quem encontrar exemplares pode ainda registá-los na plataforma iNaturalist, contribuindo para identificar novas zonas ocupadas pela espécie e ajudar a definir futuras ações de controlo.