A sucessão de Luísa Meireles na direção de informação da agência Lusa, e que passará a presidir à Comissão da Carteira Profissional, está a movimentar os bastidores do jornalismo português, depois de uma saída negociada que esteve longe de ser pacífica, sendo que a jornalista Ângela Silva surge como o nome mais forte entre três potenciais candidatos a um dos cargos mais influentes da comunicação social nacional.
Após oito anos à frente da informação da Lusa, Luísa Meireles abandona funções já na próxima segunda-feira, dia 12, na sequência de um acordo com a administração presidida por Joaquim Carreira - um acordo que não terá sido fácil, sobretudo devido às exigências financeiras inicialmente colocadas pela jornalista para aceitar a cessação do contrato, sendo que o montante exigido e os valores finais do acordo não foram divulgados publicamente.
A saída de Meireles acontece num ambiente de tensão entre a direção editorial e a administração, tendo a agora diretora demissionária a chegar a considerar a situação insustentável, depois de declarações de Joaquim Carreira numa audição parlamentar que foram interpretadas como um despedimento anunciado.
Resolvida a saída, começam agora as movimentações para encontrar um sucessor. Entre os nomes que circulam nos meios jornalísticos destacam-se Ângela Silva, Pedro Santos Guerreiro e Nuno Vinha, embora não exista confirmação oficial de qualquer convite.
O ‘fator Balsemão’
Ângela Silva surge como a hipótese mais forte. A jornalista representa uma solução de continuidade com uma tradição que tem levado aos cargos de administração e chefia da Lusa profissionais ligados ao ‘universo Balsemão’, aliás, de onde veio a própria Luísa Meireles, em 2018, e seria mais um exemplo da verdadeira ‘porta giratória’ existente há muito entre Laveiras e Benfica.
Outros exemplos dessa ‘exportação’ de quadros dirigentes são os de Nicolau Santos, que em 2017 trocou o lugar de diretor-adjunto do Expresso pela presidência da Lusa; Pedro Camacho, que em 2015, após sair da direção da Visão, veio a ocupar o lugar de diretor de informação da agência; e os próprios atuais administradores Joaquim Carreira, que ocupou cargos de responsabilidade no grupo Impresa nas áreas das Finanças e Recursos Humanos,entre outros, e Luís Ferreira Lopes que, ainda que tenha entretanto passado pela assessoria de Marcelo Rebelo de Sousa, foi editor económico da SIC durante largos anos. Pese embora o grupo Impresa ter vendido em 2022 a posição de 22,5 por cento que detinha na Lusa, a verdade é que a influência da família Balsemão na agência hoje detida na sua totalidade por capitais públicos, continua a fazer-se sentir.

Outro nome que asseguram estar em cima da mesa é o de Pedro Santos Guerreiro, atualmente ligado à TVI e à CNN Portugal, mas que passou entre 2016 e 2019 pela direção do Expresso. Com experiência de liderança editorial, gestão de redações e transformação digital, apresenta um perfil associado à modernização da agência
Nuno Vinha, atualmente na direção do Diário de Notícias, é a terceira possibilidade apontada. A seu favor joga a experiência no jornalismo de agência, uma característica importante numa organização com uma estrutura editorial e exigências operacionais muito próprias.
Até à escolha definitiva, a direção interina ficará entregue a Maria de Deus Rodrigues e Nuno Simas, os dois diretores-adjuntos, que aceitaram assegurar funções até 31 de outubro.
A sucessão ganha particular importância quando a Lusa atravessa uma fase de transformação, depois de o Estado ter assumido a totalidade do capital da agência e aprovado um novo modelo de governação.
Mais do que escolher um novo diretor, a administração terá de encontrar uma personalidade capaz de assegurar a estabilidade interna, preservar a independência editorial e conduzir a modernização da principal agência noticiosa portuguesa. Tudo isto num momento em que a saída de Meireles já provocou pedidos de esclarecimento parlamentar.
















