Os Estados Unidos realizaram novos ataques contra alvos iranianos na quarta-feira, dis 27, numa escalada da tensão no Médio Oriente. Segundo responsáveis norte-americanos, citados pela Associated Press, as forças dos EUA abateram quatro drones iranianos no Estreito de Ormuz e destruíram ainda uma estação de controlo terrestre em Bandar Abbas, que estaria prestes a lançar um quinto aparelho.

A cidade iraniana ocupa uma posição estratégica na região, por albergar a principal base naval do Irão e situar-se junto ao Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes para o transporte mundial de petróleo.

Os ataques surgem numa altura em que Donald Trump tenta alcançar um acordo com Teerão para reabrir o Estreito de Ormuz e limitar a capacidade nuclear iraniana. Ainda assim, o presidente norte-americano mostrou-se frustrado com o ritmo das negociações, acusando o Irão de estar a “negociar em lume brando”.

“Eles querem muito fazer um acordo. Até agora não conseguiram. Não estamos satisfeitos, mas vamos estar, ou então teremos de finalizar o nosso objetivo”, afirmou Trump durante uma reunião de gabinete.

O líder republicano negou também que a aproximação das eleições intercalares esteja a influenciar a estratégia da Casa Branca. “Pensaram que iam esperar a pensar que ‘ele tem as intercalares’, mas eu não me importo com as intercalares”, declarou.

Segundo a Agência Internacional de Energia Atómica, o Irão possui atualmente 440,9 quilos de urânio enriquecido até 60%, um nível próximo dos 90% necessários para utilização militar. Um dos principais pontos de discórdia continua a ser o destino deste material, numa altura em que Trump já afirmou que “não ficaria confortável” se a Rússia ou a China recebessem o stock iraniano.

Os recentes ataques aconteceram poucos dias depois de operações classificadas por Washington como “defensivas” contra lançadores de mísseis e embarcações de minas no sul do Irão. Apesar disso, os EUA garantem que continuam a agir com contenção devido ao frágil cessar-fogo que se mantém há várias semanas.

Outro dos temas em discussão passa pelo eventual alargamento do cessar-fogo às operações israelitas contra o Hezbollah, no Líbano. O memorando atualmente em preparação prevê tréguas entre Washington, Teerão e os respetivos aliados, mas salvaguarda o direito de Israel agir em legítima defesa.

Trump aproveitou ainda para defender a adesão de países como Kuwait, Qatar, Arábia Saudita e Paquistão aos Acordos de Abraão, assinados durante o seu primeiro mandato para normalizar relações com Israel. Segundo diplomatas do Golfo, a proposta foi recebida com “silêncio atónito”.

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