A Europa está a comprar cada vez mais gás à Rússia antes da entrada em vigor da proibição total das importações, prevista para 2027. Só nos primeiros seis meses deste ano, os países europeus adquiriram um volume recorde de gás proveniente do maior projeto russo de gás natural liquefeito.

As importações do projeto Yamal LNG atingiram quase 10 milhões de toneladas entre janeiro e junho, o valor mais elevado de sempre para este período. O complexo, localizado no Ártico russo e operado pela empresa privada Novatek, é considerado uma das principais fontes de receita da Rússia desde o início da guerra na Ucrânia.

Segundo o Financial Times, os países europeus gastaram cerca de seis mil milhões de euros na compra de gás proveniente deste projeto. França lidera a lista dos maiores compradores, seguida da Bélgica e de Espanha.

Portugal também continua a receber gás com origem em Yamal. A empresa espanhola Naturgy descarregou no porto de Sines uma carga de gás russo proveniente deste projeto, sendo que a última operação ocorreu em fevereiro e envolveu cerca de 93 mil metros cúbicos.

Apesar de a União Europeia já ter proibido novos contratos de curto prazo para a compra de gás russo, os contratos de longa duração permanecem válidos até 1 de janeiro de 2027. Até lá, vários países continuam a recorrer a estes acordos para garantir o abastecimento energético.

Inaugurado em 2017, o projeto Yamal LNG é o maior produtor de gás natural liquefeito da Rússia, com capacidade para produzir mais de 17 milhões de toneladas por ano.