A segunda vaga de calor deste verão está a avançar para o centro e sul da Europa, levando vários países a preparar-se para temperaturas próximas dos 40 graus e começando a afetar infraestruturas críticas do setor energético.

O caso mais preocupante regista-se na Hungria, onde a central nuclear de Paks foi obrigada a reduzir grande parte da produção devido à quebra do caudal do rio Danúbio. A diminuição da água disponível, provocada pela seca prolongada, comprometeu o arrefecimento seguro dos reatores. Segundo o Financial Times e o The Guardian, a central poderá mesmo suspender totalmente a atividade nos próximos dias, obrigando o governo húngaro a recorrer a mais importações de eletricidade e a preparar medidas para conter o consumo.

O primeiro-ministro da Hungria, Péter Magyar, alertou que "os cinco dias mais difíceis ainda estão por vir", numa altura em que Budapeste deverá atingir os 37 graus. De acordo com o Financial Times, o executivo admite inclusivamente restringir o fornecimento elétrico aos maiores consumidores industriais caso a rede enfrente uma pressão excessiva.

A vaga de calor deverá estender-se por vários países da Europa Central e do Sudeste. O The Guardian prevê temperaturas máximas de cerca de 37 graus em Budapeste e Viena, 36 em Zagreb, 35 em Tirana e 33 em Bucareste. Paralelamente, a Roménia e a Sérvia enfrentam níveis historicamente baixos nos seus rios, situação que também está a afetar a produção de energia hidroelétrica.

A situação na Hungria surge poucas semanas depois de França ter enfrentado problemas semelhantes. Durante a vaga de calor de junho, várias centrais nucleares francesas reduziram temporariamente a produção devido ao aumento da temperatura da água utilizada no arrefecimento dos reatores. A central de Golfech, localizada no sudoeste do país, chegou mesmo a interromper a atividade por causa das limitações ambientais impostas pela temperatura do rio Garonne.

A repetição destes episódios em diferentes países está a aumentar as preocupações quanto à resistência das infraestruturas energéticas europeias perante fenómenos climáticos extremos.

Além do impacto na produção de eletricidade, a seca está a dificultar a navegação no Danúbio, a agravar as dificuldades no setor agrícola e a pressionar os custos da energia, acrescenta o Financial Times.

Em menos de dois meses, França e Hungria foram obrigadas a reduzir a produção nas suas centrais nucleares devido às condições dos rios, enquanto a Roménia e a Sérvia enfrentam quebras na produção hidroelétrica. A sucessão destes acontecimentos demonstra que as ondas de calor já não representam apenas um risco para a agricultura ou para os incêndios florestais, começando igualmente a comprometer o funcionamento de infraestruturas essenciais ao abastecimento energético europeu.