A tradicional febre das cadernetas de cromos chegou em força a Angola nas últimas semanas. Pese embora o afastamento das seleções portuguesa, brasileira e cabo-verdiana, que reuniam a grande simpatia da maioria dos angolanos, em Luanda, centros comerciais e espaços de lazer transformaram-se em autênticos pontos de encontro para centenas de crianças, jovens, pais e até avós, unidos por um objetivo comum: completar a coleção oficial da competição que decorre nos Estados Unidos, Canadá e México.

Ao longo dos fins de semana, multiplicam-se as sessões de troca de cromos, onde se repetem frases como "tenho, falta e troco". Mais do que um simples passatempo, o fenómeno está a promover momentos de convívio entre famílias e amigos, aproximando diferentes gerações em torno da paixão pelo futebol.

A edição de 2026 conta com 122 páginas e 980 cromos, tornando-se a maior de sempre e superando largamente as coleções dos mundiais anteriores. Apesar do entusiasmo, completar a caderneta representa um investimento significativo para muitas famílias angolanas, já que o preço das saquetas é superior ao praticado em vários países europeus.

Ainda assim, já com a final do Mundial à vista, a procura mantém-se elevada. Lojas especializadas organizam concursos, eventos de troca e iniciativas para dinamizar a comunidade de colecionadores, enquanto as redes sociais ajudam a juntar quem procura os cromos mais difíceis.

Cinquenta e seis anos depois da primeira caderneta oficial de um Campeonato do Mundo, a tradição continua bem viva, confirmando que o futebol também se joga fora dos estádios, página após página, cromo após cromo.