José Pedro Aguiar-Branco, de 69 anos, admitiu esta segunda-feira, 21, a possibilidade de se avançar com uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) ao ministro da Administração Interna, Luís Neves (60). O presidente da Assembleia da República reconheceu que o novo requerimento do Chega parece ir "ao encontro de várias das observações", pelo que a CPI pode ser aceite. Contudo, a decisão ainda não está tomada e deverá ser conhecida na quarta, 23.

"Tanto quanto sei, porque é de conhecimento público, este novo documento vai ao encontro de várias das observações que fiz nos meus despachos anteriores", afirmou Aguiar-Branco, durante a inauguração da nova residência universitária da Federação Académica do Porto, na Póvoa de Varzim.

O presidente da Assembleia da República negou ter dificultado a CPI do Chega à atuação do atual ministro da Administração Interna, Luís Neves, durante os anos em que esteve como diretor da Polícia Judiciária, entre 2018 e 2026: "O meu pronunciamento foi claríssimo. Teve única e exclusivamente a ver com questões de conformidade constitucional e legal em relação àquilo que é a lei que regulamenta o funcionamento das CPI. Não teve nada a ver com questões de natureza política, muito menos ainda de natureza partidária, conveniência ou oportunidade em relação a esta ou àquela pessoa."

O líder da AR referiu ainda que não se pronunciará sobre se "é ou não é adequado fazer o escrutínio, se é politicamente bom ou mau", admitindo que se baseou na lei e na Constituição para chumbar os primeiros requerimentos.

Recorde-se que o novo requerimento do Chega para levar o ministro da Administração Interna a uma comissão parlamentar de inquérito deu entrada na sexta-feira, 18. Aguiar-Branco reconhece que ainda não teve acesso ao documento, mas garante que deverá ter uma resposta final "amanhã ou na quarta-feira".