A campanha presidencial de Flávio Bolsonaro mudou de rumo na área da comunicação, com a substituição do marqueteiro Eduardo Fischer por Duda Lima, publicitário que coordenou a campanha de Jair Bolsonaro em 2022. A decisão, embora anunciada apenas agora, vinha sendo preparada há cerca de duas semanas, na sequência de um crescente descontentamento interno com a estratégia seguida até aqui.
Segundo fontes ligadas ao Partido Liberal (PL), tanto dirigentes próximos do candidato como o presidente da legenda, Valdemar Costa Neto, manifestavam reservas ao trabalho de Fischer. As críticas incidiam sobre a falta de impacto das peças de campanha, a lentidão na resposta aos ataques dos adversários e a incapacidade de criar uma identidade política forte para a candidatura de Flávio Bolsonaro nos primeiros dois meses de campanha.
A tensão agravou-se durante a preparação da convenção nacional do PL, realizada no último sábado. Fischer defendia uma predominância da cor azul, procurando associar a candidatura à chamada “onda azul” da direita e da extrema-direita sul-americana. No entanto, a proposta acabou por ser contrariada por pessoas próximas de Flávio Bolsonaro, que impuseram o verde e amarelo, cores tradicionalmente associadas ao bolsonarismo. “O verde e o amarelo já estão consagrados como as cores da direita”, resumiu um assessor.
Apesar das críticas, elementos próximos de Eduardo Fischer defendem que o publicitário assumiu a campanha num período particularmente difícil, marcado pela crise do chamado “Dark Horse”, e sublinham que a convenção teve forte repercussão mediática.
Duda Lima, considerado há muito a escolha preferida de Valdemar Costa Neto para liderar a comunicação da campanha, foi contactado há duas semanas e aceitou assumir a função após uma reunião decisiva realizada esta semana. A mudança é vista por aliados de Flávio Bolsonaro como uma tentativa de imprimir maior eficácia e agressividade à reta decisiva da campanha presidencial.

















