Há cada vez mais homens vítimas de violência doméstica que estão a procurar ajuda. Em 2025, a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) acompanhou 1.258 homens, contra 724 em 2021, um crescimento de cerca de 74% em quatro anos.
Entre as vítimas acompanhadas no ano passado, 774 sofreram violência no contexto de relações de intimidade, praticada por atuais ou antigos companheiros, namorados ou cônjuges. No conjunto das situações de violência doméstica, que incluem também agressões por parte de familiares, o número de vítimas masculinas chegou aos 1.258, avança o Jornal de Notícias (JN).
Os cônjuges foram os agressores mais frequentes nas relações de intimidade, com 299 casos. Seguiram-se antigos companheiros ou companheiras (165), atuais companheiros ou companheiras (133), ex-namoradas (84) e ex-cônjuges (64).
Fora das relações amorosas, os filhos e filhas surgem no topo da lista, com 198 casos, enquanto pais ou mães foram identificados como agressores em 128 situações.
Apesar do aumento dos pedidos de apoio, a APAV alerta que os números não significam necessariamente que exista atualmente mais violência contra homens. A evolução poderá refletir também uma maior capacidade para reconhecer situações de abuso e procurar ajuda, bem como a redução do estigma associado à vitimação masculina.
Gustavo Duarte, gestor adjunto do Gabinete de Apoio à Vítima de Santarém da APAV, destaca a maior sensibilização de profissionais e instituições para estes casos. Segundo o responsável, homens vítimas de violência doméstica têm hoje mais informação sobre os serviços disponíveis e encontram técnicos, forças policiais e tribunais mais preparados para responder.
Ainda assim, a vergonha e o medo de não serem levados a sério continuam a afastar algumas vítimas: “Persiste o medo de serem ridicularizados, de não acreditarem nos seus relatos ou de serem questionados sobre o papel que desempenham na relação.”
O psicólogo alerta também para situações em que vítimas são ameaçadas com acusações inversas caso decidam denunciar.
A APAV garante que o género não determina o acompanhamento prestado. O plano de intervenção é definido conforme as necessidades de cada vítima, existindo ainda a possibilidade de acompanhamento por um técnico do mesmo género.
No total, ao longo dos últimos cinco anos, a APAV acompanhou 4.929 homens vítimas de diferentes formas de violência doméstica.

















