Lisboa passou a constar do Índice Global de Bolha Imobiliária 2026 do UBS, divulgado esta terça-feira, dia 22. É a primeira vez que a capital portuguesa aparece na lista, e entra logo em sétimo lugar entre as 23 metrópoles analisadas pelo banco suíço. Na prática, o UBS considera que em Lisboa o preço das casas está cada vez mais afastado dos fundamentos económicos.

A cidade fica na categoria de "risco elevado", ao lado de Miami, Dubai, Seul e Genebra. Só Zurique e Tóquio aparecem no patamar acima, o de risco de bolha alto.

O relatório diz que as políticas criadas para atrair capital estrangeiro e novos residentes alimentaram o boom imobiliário da capital. Na última década, os preços reais das casas em Lisboa subiram quase 7% ao ano, o ritmo mais rápido de todo o grupo de cidades. Desde meados do ano passado já aumentaram mais 10%.

O UBS também mediu o esforço de compra. Um trabalhador qualificado do setor dos serviços precisa de cerca de dez anos de rendimento para comprar um apartamento de 60 metros quadrados perto do centro de Lisboa. Só em Hong Kong, Tóquio, Paris, Londres, Seul e Singapura esse esforço é maior.

Ainda assim, os analistas do banco de Zurique acham que o ciclo pode estar a perder força. "À medida que Lisboa se tornou um dos mercados de habitação menos acessíveis da Europa, os principais motores de crescimento estão a enfraquecer", escrevem. O relatório aponta três razões: uma política de imigração mais seletiva, que contribuiu para um crescimento populacional negativo, a estagnação das rendas e a procura que se está a deslocar para zonas mais baratas fora da cidade.

Na Zona Euro, os desequilíbrios aumentaram no último ano em Lisboa, Madrid e Milão, e Paris teve uma subida modesta no índice de risco. Em Frankfurt, Munique e Amesterdão, pelo contrário, o risco de bolha baixou.

A nível global, os preços das casas ajustados à inflação subiram em média 0,5% nas cidades analisadas, abaixo dos 1,4% de meados de 2025. Seul teve o crescimento real mais forte, acima de 10% ao ano, puxado pela expansão económica ligada à inteligência artificial. Lisboa e Madrid tiveram ganhos "igualmente robustos", mas o UBS nota que a procura começou a ir para os subúrbios.

Os economistas do banco falam também de uma desigualdade cada vez maior dentro das próprias cidades. Muitas famílias têm hoje menos acesso à habitação. Outras, mais ricas, viram o património crescer com os ganhos em bolsa e a riqueza gerada pela IA, o que lhes permite dar entradas maiores ou comprar casa a pronto. É por isso que o segmento de gama alta tem tido melhores resultados.

"É provável que a polarização do mercado da habitação entre cidades se intensifique e se torne cada vez mais desligada do ciclo global das taxas de juro", dizem Claudio Saputelli e Matthias Holzhey, do Chief Investment Office do UBS. Na opinião dos dois, as cidades que ficarem com uma parte maior do crescimento trazido pela IA vão ter salários mais altos, mais produtividade e famílias mais ricas.