A Direção Central de Combate ao Banditismo, a unidade de elite da Polícia Judiciária dedicada à criminalidade mais violenta, não era para todos. Exigia resistência e coragem. Foi aqui, na avenida José Malhoa, entre sangue e cheiro a pólvora, que Luís Neves começou a carreira. Os anos de brasa do desmantelamento do grupo terrorista FP-25 ainda povoavam a memória de grande parte dos operacionais. Nestes finais de 1995, porém, a luta era outra — mas tão sanguinária como a anterior.
A PJ enfrentava então uma vaga de assassínios, raptos e sequestros, episódios de uma guerra entre grupos estrangeiros que disputavam o controlo do tráfico de droga. Uma das redes mais perigosas era composta por turcos cruéis e implacáveis ao serviço do todo-poderoso Urfi Çetinkaya — o temido «Paralítico» que, de uma cadeira de rodas, algures nas margens do Mar Negro, comandava a distribuição de heroína pela Europa.
Era advogado quando concorreu à Escola da Polícia Judiciária, em Loures. Deu nas vistas logo no primeiro dia. Baixo, entroncado e ágil, trazia no corpo os anos em que jogara à bola no Cova da Piedade. Uma força da natureza. Irrequieto, resistente, com uma energia difícil de conter. Respirava determinação.
Não sabia ainda, mas já o observavam. Quando terminou o curso, foi imediatamente convocado para a avenida José Malhoa, onde estava instalada a Direção Central de Combate ao Banditismo — hoje Unidade Nacional Contraterrorismo. Tinham-lhe reconhecido qualidades à medida da elite da Judiciária. O diretor, Orlando Romano, austero magistrado do Ministério Público em cujo rosto raramente se via um sorriso, recebeu-o com expetativa. O tempo não tardaria a dar razão a quem o recomendara.
As primeiras semanas na ‘Malhoa’ não foram fáceis. Aos olhos de alguns, Luís Neves vinha do lado dos maus. Ainda há pouco advogado, fizera parte da defesa de Virgílio Candeias, cabecilha de um dos mais temidos gangues especializados em golpes à mão armada. Agora, o antigo advogado de homens perseguidos pela PJ entrava para a unidade que os caçava. A desconfiança era inevitável.
Candeias e os seus homens estavam presos. Quando regressaram à liberdade, o chefe do gangue e o seu braço-direito, Miguel Carrilho da Silva, voltaram ao ofício que melhor conheciam. Montados em potentes motos roubadas e com a ajuda das mulheres, assaltaram bancos, estações de correio, bombas de gasolina e, pelo menos, uma repartição de Finanças. Andaram nisto durante quase um ano. Até voltarem a cair nas mãos da PJ. Desta vez, com o empenho decisivo de Luís Neves. Custou-lhes reconhecer naquele homem de metralhadora em punho o advogado que, anos antes, se esforçara por defendê-los em tribunal.
A prova de fogo
O estagiário Neves não teve outro remédio senão ficar entregue a Vítor Alexandre, primo do juiz Carlos Alexandre. O novato não tardou a ir mais longe do que o mestre. Também, segundo a malícia que corria pelos corredores da ‘Malhoa’, não seria façanha por aí além. Ao coordenador chamavam ‘Olho de Vidro’ — talvez pelo pouco olho que tinha para certos casos de polícia.
Ainda Luís Neves não tinha um mês de casa, chegou uma informação: a namorada de um homem que dera uma ‘banhada’ aos turcos fora sequestrada e o pai preparava-se para entregar, dali a poucas horas, perto do Teatro Aberto, a dois passos da ‘Malhoa’, o resgate exigido pelo gangue para a libertar.
Não havia tempo para preparar a operação. O pessoal da DCCB tinha apenas uma descrição vaga do homem que faria a entrega do dinheiro. Cercaram a zona e uma das equipas tomou posição junto ao parque de estacionamento do teatro. A certa altura, surgiu um homem com um saco na mão. Correspondia à descrição. Mas Luís Neves fixou-se noutra coisa: uma mota com dois ocupantes avançava na direção do homem do saco.

A mota aproximou-se do alvo e, num ápice, um dos ocupantes arrancou-lhe o saco com o dinheiro. Seguiu-se a perseguição — e o tiroteio. Um carro da PJ derrubou a mota. Os dois turcos fugiram a pé. Separaram-se. Cada um correu para seu lado. Um deles galgou como um felino o muro do IPO. O estagiário foi atrás. Transpôs o mesmo muro e, depois de nova corrida, conseguiu imobilizar o fugitivo armado.
A noite ainda acabaria melhor. O segundo turco foi detido e a mulher sequestrada recuperou a liberdade.
A destreza e o sangue-frio do estagiário dissiparam boa parte da desconfiança com que os veteranos da ‘Malhoa’ ainda o olhavam. Neves deixara de ser apenas o antigo advogado de homens que a Judiciária perseguia. Nessa madrugada começaram também algumas das amizades que o acompanhariam pela vida — a Alice, o Leonel, o Frazão, o Zé Manel, o Marques…
Não era fácil acompanhar a pedalada da DCCB. A ‘casa’, uma autêntica fortaleza, tinha uma regra de ouro: não se arquivavam inquéritos. Ninguém desistia, ninguém se dava por vencido, ninguém se rendia.
Trabalhavam, se fosse preciso, sem descanso — 24 horas por dia, sete dias por semana, 365 dias por ano. Mergulhavam nas madrugadas do ‘bas-fond’, num jogo perigoso de cumplicidades com gente do crime, à procura de informações preciosas. A DCCB era um carrossel que não parava. Nem todos aguentavam o ritmo. A estreita porta de entrada abria-se-lhes então de par em par no sentido da saída. Luís Neves aguentou-se.
Nasceu em Castelo Branco, a 24 de setembro de 1965. Tinha um ano quando os pais partiram para Angola. Luís só regressou a Portugal depois da independência. Aos 16 anos, já ganhava dinheiro a jogar futebol no Cova da Piedade, na Margem Sul do Tejo.
A primeira imagem de Neves em ação publicada num jornal é de janeiro de 2001. Surge atrás da porta aberta de um carro, rádio numa mão, o outro braço erguido, a comandar o cerco às instalações da RTP, na Avenida 5 de Outubro. Lá dentro, Manuel Subtil, um homem desesperado por se fazer ouvir, barricara-se numa casa de banho e ameaçava acionar os explosivos que dizia ter à cintura. Antes que o Grupo de Operações Especiais da PSP tomasse o local de assalto, Neves percebeu que Subtil estava a fazer ‘bluff’. Não havia bomba. Falou com ele e convenceu-o a sair são e salvo.
Anos de brasa
Com a queda do Muro de Berlim, desaba a Cortina de Ferro que durante décadas divide a Europa ao meio. Do outro lado começam a chegar a Portugal homens de um mundo em ruínas — ex-militares, alguns com treino de operações especiais, antigos agentes do KGB, polícias e toda a sorte de delinquentes perigosos saídos das prisões — organizados em redes mafiosas com raízes nas antigas repúblicas soviéticas. Trazem métodos de uma brutalidade desconhecida. Traficam armas e droga, subjugam mulheres e obrigam-nas à prostituição, cobram por proteção e espancam quem se recusa a pagar — tudo serve para ganhar dinheiro.
A União Soviética desaparece. As fronteiras abertas deixam agora ver a miséria e milhões de vidas à deriva. Homens, mulheres e crianças atravessam a Europa à procura de uma vida melhor, atraídos por promessas de trabalho. Muitos acabam em Portugal. O sonho de uma nova vida transforma-se numa armadilha. As redes apoderam-se dos passaportes, mantêm os trabalhadores presos pelo medo e roubam-lhes os salários. Quem tenta fugir é espancado. Quem se revolta pode pagar com a vida. Há homens mortos à pancada ou, num derradeiro ato de misericórdia, abatidos a tiro.

Na ‘Malhoa’, ninguém sabe ainda ao certo com quem está a lidar. É preciso aprender depressa. Identificar nomes, perceber hierarquias, descobrir códigos, seguir movimentos, cruzar telefonemas. As escutas multiplicam-se, as vigilâncias também. Mas quase tudo é difícil. A língua fecha portas e as vítimas fecham ainda mais. Poucas falam. Umas preferem continuar escravizadas a serem mandadas de volta para casa; outras sabem que uma palavra dita em Lisboa pode ser paga, a milhares de quilómetros de distância, pela mulher, pelos filhos, pelos pais.
É neste terreno às escuras que surge o primeiro grande adversário: a rede chefiada pelo moldavo Ghenadie Flocea, conhecido por Borman, antigo militar das forças especiais soviéticas, filho do mais temido chefe mafioso da Moldávia. A rede Borman é a mais perigosa e cruel das que operam em Lisboa. Os bravos da ‘Malhoa’ têm pela frente antigos militares e polícias treinados no gatilho, gente violenta que pouco ou nada tem a perder. Sabem que o combate pode ser mortal. Luís Neves, já promovido a coordenador, lidera a investigação. Não é homem de ficar à secretária. Nunca foi. Vai para o terreno.
Mas, em 1999, surge outra ameaça: o sequestro de figuras endinheiradas para exigir resgates. A primeira vítima é Miguel Cintra, filho único de Sousa Cintra. Luís Neves, já no encalço de Borman, toma conta da ocorrência.
O plano parte de um economista, casado com uma advogada, que conhece bem os hábitos de Miguel Cintra. Aproveita o interesse da vítima pela criação de cavalos e inventa um negócio com um puro-sangue lusitano. Marca um encontro na pousada de Sousel. Miguel cai na esparrela. É sequestrado.
O golpe, porém, começa mal. Os criminosos contam chegar depressa ao dinheiro de Sousa Cintra, mas o empresário está no Brasil e incontactável. Miguel indica a namorada como intermediária: passa-lhe um cheque de 60 mil contos, tudo o que tem na conta, para ela levantar e entregar o dinheiro aos raptores. Ela assim faz, convencida de que o pagamento bastará para o libertar. Mas um oficial da PSP, amigo de Sousa Cintra, corre a alertar a ‘Malhoa’. Luís Neves mexe-se. Quando entra no caso, porém, o dinheiro já desapareceu: a namorada da vítima cumprira as instruções dos sequestradores e deixara o resgate num eucaliptal, algures na zona de Pegões.
Operacionais avançam para Pegões em vários carros. Luís Neves segue com eles. Tem no coldre a sua inseparável Glock. A namorada de Miguel leva-os ao eucaliptal onde deixara os 60 mil contos. Os raptores já têm o dinheiro e libertaram a vítima, mas passaram poucos minutos sobre a entrega. Ainda podem estar por perto. Uma luz de faróis rompe de repente a escuridão. Só podem ser eles. Os polícias sacam das armas e preparam-se para os intercetar. Mas o carro muda inesperadamente de direção e desaparece. Os sequestradores escapam nessa noite. Neves só lhes deita a mão três meses depois. Sousa Cintra, no Brasil, só sabe do rapto quando o filho já está a salvo.
Borman atrás das grades
Neves tem poucas horas para preparar tudo. Convence o patrão do moldavo a adiantar os mil contos exigidos pelos raptores. O familiar da vítima fará a entrega. Há um problema: ninguém sabe quem vai aparecer para buscar o dinheiro nem quantos homens estarão à espera. Neves pede reforços e parte para Cascais com nove operacionais.
Já conhecem suficientemente a rede para saber ao que vão. Borman montara uma organização compartimentada, quase clandestina. Uns homens recolhem informações, outros asseguram a logística, outros cobram resgates. Há ainda quem, nos países de origem, ameace as famílias dos imigrantes que ousam desafiar o grupo. Os chefes protegem-se. Mudam de carro, vigiam quem os vigia e raramente dão a cara.
No parque do Jumbo, Neves monta o cerco e manda esperar. Primeiro o dinheiro. Depois, a vítima. O homem está fechado na bagageira de um BMW e só quando for libertado a PJ avançará.
A troca começa. O resgate muda de mãos. A bagageira abre-se e o refém sai. É o sinal. Dois carros da Judiciária fecham a passagem ao BMW. Neves salta do automóvel e fica com o pendura na mira, enquanto outro inspetor aponta a arma ao condutor.

A detenção dos dois homens abre novas brechas na organização e fornece pistas preciosas à Judiciária. Nos meses seguintes, as equipas de Neves desmantelam várias redes mafiosas de Leste. Até que, no final de 2000, chega a vez de Borman. Uma operação de grande envergadura, lançada em simultâneo no Algarve, na Margem Sul e em Sintra, apanha finalmente Ghenadie Flocea, o homem que durante tanto tempo escapara à PJ. Luís Neves está lá. Cabe-lhe o secreto prazer, guardado durante meses, de apontar a Glock ao temido moldavo. Borman sabia de armas e sabia usá-las. O treino nas forças especiais dava-lhe essa vantagem. Naquele instante, porém, não havia margem para um gesto em falso. Se tentasse sacar de uma arma, podia não sair dali com vida.
Fiel caçadeira no carro
Luís Neves lidera as investigações aos Hells Angels e aos Hammerskins que levam à prisão de Mário Machado, então apontado como um dos nomes mais conhecidos da extrema-direita violenta portuguesa. A carreira acelera. A PJ envia-o para a academia do FBI, em Quantico, nos Estados Unidos. Vai aperfeiçoar qualidades. Regressa com formação em liderança e tomada de decisão. Dentro da Judiciária, o seu nome ganha peso. Fora dela também. No meio criminoso, juram-lhe pela pele. Neves não se assusta.
O carrossel da ‘Malhoa’ não pára de girar. Depois das máfias de Leste, chega a vez da máfia da noite de Lisboa. A noite tem donos e regras próprias impostas por gente que não gosta de ser contrariada.

No centro das atenções estão Alfredo Morais, antigo agente da PSP com formação em operações especiais, e Vítor Trindade, ligado ao pequeno império das casas de striptease Passerelle. À volta destes donos da noite gravita um exército de seguranças, cobradores e homens de mão. Entram nos bares e discotecas como seguranças e, pouco a pouco, tomam conta do negócio. Primeiro, cobram proteção. Depois, exigem uma parte da receita diária. No fim, há proprietários que perdem tudo. Quem protesta arrisca uma tareia — ou pior. A noite de Lisboa ganha ares da Chicago de Al Capone.
O caso é difícil de provar. O medo fecha bocas, impede testemunhos e deixa a violência escondida atrás de um pesado silêncio. Mas as escutas telefónicas acabam por fornecer pistas sólidas — e revelam uma coisa que toca Luís Neves de muito perto: os chefes do grupo fartam-se de falar dele: querem “acabar com esse cabrão”, “dar cabo do gajo”.
Neves leva as ameaças a sério. Não o suficiente para recuar, mas o bastante para reforçar o arsenal. A Glock continua a acompanhá-lo. No carro passa a andar com uma caçadeira — arma menos discreta, mas muito mais eficaz quando chega a hora de fazer estragos. Luís Neves aperta o garrote à rede de Alfredo Morais até a deixar sem ar.
O senhor diretor
Em 2007, Teófilo Santiago, histórico ‘crachá de ouro’ da Polícia Judiciária, deixa a direção da DCCB. Luís Neves sucede-lhe no cargo. Pouco depois, a velha Direção Central de Combate ao Banditismo muda de nome e passa a chamar-se Unidade Nacional Contraterrorismo.
A direção de Luís Neves não tem sossego. Os casos sucedem-se. Em dezembro de 2007, uma bomba mata José Gonçalves, proprietário do bar ‘O Avião’, o velho Caravelle transformado em casa de alterne que durante anos fez parte da paisagem nas imediações do aeroporto de Lisboa. O crime é um quebra-cabeças. Descobre-se, por fim, que o engenho explosivo fora detonado através de uma chamada feita por telemóvel a partir dos Açores. O assassino acaba preso.
No Algarve, é resgatado um cidadão britânico sequestrado por causa de uma dívida de droga. Falta-lhe uma orelha e tem dois dedos a menos — mas está vivo.
Segue-se a captura de um assassino em série argelino, conhecido em França como o ‘Violador dos Comboios’. A unidade de Neves dá caça aos bandos que fazem explodir caixas Multibanco por todo o país. E há ainda, entre muitos outros processos, o do ‘rei Ghob’. Um após outro, os dossiês mais pesados acabam por cair-lhe na secretária.

O caso ‘Rei Ghob’ começa com um desaparecimento. Em março de 2010, perde-se o rasto de Joana Correia, uma rapariga de 16 anos, de Torres Vedras. A hipótese de sequestro leva o processo à Unidade Nacional Contraterrorismo. O pessoal de Neves começa a puxar o fio à meada. Um nome repete-se: Francisco Leitão, o excêntrico sucateiro que, numa casa nos arredores da Lourinhã, constrói o seu pequeno reino a fingir e na Internet se apresenta como ‘Rei Ghob’. Reúne à sua volta uma pequena corte de jovens. A investigação depressa tropeça noutros desaparecimentos. Tânia e Ivo também tinham feito parte daquele círculo. A PJ chega à conclusão de que está perante um possível assassino em série. Leitão é detido, em julho. Os corpos nunca são encontrados, mas a prova reunida basta para o levar a julgamento. É condenado, em 2012, por três homicídios e três crimes de ocultação de cadáver. Apanha a pena máxima: 25 anos de cadeia.
Cá e lá da fronteira
Mas a Unidade Nacional Contraterrorismo não vive apenas de monstros solitários. Enquanto o caso Rei Ghob ocupa os investigadores, outra ameaça, muito mais vasta, cresce silenciosamente do outro lado da fronteira.
A polícia espanhola percebe que a ETA está a aproveitar-se de Portugal para se movimentar com menos risco: alguns dos carros usados na retaguarda das operações têm matrícula portuguesa. São alugados cá. A informação chega em 2007 e não fica esquecida numa gaveta. Os investigadores seguem os contratos, identificam as empresas de aluguer e ficam com a certeza de que o território português está mesmo a ser usado.
A pressão política não tarda. Para evitar que o caso exponha as fragilidades de Portugal, o governo, presidido por José Sócrates, quer travar a investigação. Neves recusa. Não arquiva os inquéritos, mantém as equipas no terreno e continua a seguir a pista da ETA. Não se surpreende quando, em janeiro de 2010, dois etarras são intercetados numa operação stop a caminho de uma casa clandestina na zona de Óbidos. O local serve de apoio à organização e ali seria desmantelada uma estrutura destinada à preparação de explosivos. Tem a confirmação do que vinha sustentando havia anos. Portugal não era apenas território de passagem. A ETA escolhera o nosso país para instalar bases de apoio e de recuo.
A ameaça terrorista não seria, porém, a única a pôr à prova a unidade de Neves. Anos depois, o perigo surgiria de onde menos se esperava – de dentro da ‘inteligência’ portuguesa. Participou na investigação que culminou, em 2016, na detenção, em Itália, de Frederico Carvalhão Gil, funcionário do Serviço de Informações de Segurança (SIOS) apanhado a vender informação classificada a um agente russo.
O lugar de diretor nacional podia ter sido dele em 2008. O ministro da Justiça, Alberto Costa, bem o convidou. Luís Neves diz que não. Sabe avançar depressa quando é preciso, mas também sabe esperar. Almeida Rodrigues, também ele oriundo da carreira de investigação criminal, acaba por ocupar o cargo e fica à frente da PJ durante uma década.

Luís Neves não resiste ao segundo convite. Francisca Van Dunem escolhe-o para suceder a Almeida Rodrigues e, a 18 de junho, o antigo estagiário da 'Malhoa' chega ao topo da casa onde entrara quase 23 anos antes. O primeiro mandato prolonga-se por três anos. Em 2021, é reconduzido. Em novembro de 2024, a ministra da Justiça, Rita Júdice, entrega-lhe nova comissão de serviço por mais três anos. Não chegaria ao fim. Em fevereiro, Montenegro chama-o para outra missão: ministro da Administração Interna.

















