O interesse do empresariado brasileiro pelo mercado angolano continua a crescer, impulsionado pelas oportunidades de investimento e pelo posicionamento geográfico do país como porta de entrada para a África Austral. A convicção foi expressa pelo presidente da Câmara de Comércio Angola-Brasil (CCAB) e da Associação dos Empresários e Executivos Brasileiros em Angola (Aebran), Raimundo Lima, durante um seminário realizado na FILDA 2026, que encerrou as suas portas há dias, em Luanda.

Na sua intervenção, o dirigente destacou que Angola reúne condições únicas para funcionar como plataforma regional de negócios, graças à abundância de recursos naturais, ao potencial agrícola, à dimensão do mercado e à integração na SADC, bloco económico que reúne centenas de milhões de consumidores.

Raimundo Lima salientou ainda que o país possui cerca de 57 milhões de hectares de terras agrícolas, dos quais apenas uma pequena parcela se encontra atualmente explorada, representando uma oportunidade significativa para investidores ligados ao agronegócio, indústria alimentar e exportação.

O responsável reconheceu, contudo, que persistem desafios importantes, nomeadamente ao nível da burocracia, do acesso ao crédito, da eficiência da justiça, da logística e das infraestruturas. Ainda assim, considerou que as reformas económicas em curso e o esforço de diversificação da economia estão a melhorar progressivamente o ambiente de negócios.

Segundo os representantes das empresas brasileiras presentes na FILDA, Angola pode assumir um papel determinante na estratégia de internacionalização das empresas do Brasil para o continente africano. A intensificação das relações económicas entre os dois países poderá traduzir-se em novos investimentos, transferência de conhecimento, criação de emprego e reforço da cooperação empresarial, contribuindo para acelerar o desenvolvimento económico de ambos os mercados e consolidar Angola como um dos principais polos de crescimento da África Austral.