Luis Felipe Salomão assume a presidência do Superior Tribunal de Justiça brasileiro num dos períodos mais delicados da instituição. Três ministros foram alvo de investigações relacionadas com suspeitas de venda de decisões judiciais, enquanto outro magistrado, Marco Buzzi, acabou afastado na sequência de uma acusação de assédio sexual.
A sucessão de casos levou o tribunal a criar uma comissão permanente destinada a analisar denúncias de natureza ética e disciplinar, numa tentativa de recuperar a confiança numa instituição cuja imagem tem sido atingida por sucessivas polémicas. Salomão, que terá um mandato de dois anos, coloca, porém, a falta de eficiência no topo das preocupações. O STJ acumula mais de 320 mil processos pendentes.
O problema ultrapassa aquele tribunal. Uma sondagem recente citada na entrevista indica que 43% dos brasileiros não confiam no Supremo e 75% consideram que os seus ministros possuem poder excessivo.
Entre escândalos, morosidade e crescente politização do debate judicial, o novo presidente do STJ enfrenta assim um duplo desafio: tornar a Justiça mais rápida e recuperar a credibilidade dos tribunais perante os cidadãos.

















