O Mar Mediterrâneo atingiu uma temperatura recorde: 33,2 ºC. O registo foi feito numa boia localizada junto ao ilhéu de Sa Dragonera, a oeste de Maiorca. O valor foi medido no início deste mês e supera o anterior máximo registado naquele ponto, de 31,8º C, em agosto do ano passado.
A informação foi divulgada pela Agência Estatal de Meteorologia (AEMET) das Baleares, que indicou que os dados disponíveis apontam também para temperaturas da água cerca de dois graus acima do normal em várias zonas do arquipélago.
O novo máximo está a chamar a atenção dos especialistas, sobretudo por ter sido registado numa zona de mar aberto. O investigador Samuel Biener classificou o valor como uma “autêntica brutalidade” e destacou que a medição foi feita por uma boia situada a cerca de três metros de profundidade.
Para o especialista, ultrapassar o anterior recorde em mais de um grau é particularmente significativo quando se fala da temperatura do oceano, uma vez que as águas marítimas tendem a apresentar variações mais lentas do que as temperaturas registadas em terra.
Os dados mostram também uma tendência de subida acentuada nas últimas décadas. Segundo Biener, na década de 1980 a temperatura média da água do Mediterrâneo rondava os 25º C, tendo-se registado uma subida particularmente expressiva a partir dos anos 2000.
Em 2003, durante uma forte onda de calor, a água do Mediterrâneo atingiu pela primeira vez os 30º C, um valor que na altura já era considerado excecional.
Agora, com os 33,2º Cregistados em Dragonera, o novo máximo reforça os sinais de um aquecimento acelerado das águas mediterrânicas. O investigador considera que esta evolução está a acontecer a um ritmo muito superior ao previsto pelos modelos de há algumas décadas.
Além da temperatura elevada junto a Maiorca, os dados de satélite analisados pelas autoridades espanholas apontam para anomalias de cerca de dois graus em torno das Baleares, mostrando que o fenómeno não está limitado a um único ponto de medição.

















