Os primeiros segundos do vídeo já impressionam, mas a dimensão da cheia torna-se ainda mais evidente à medida que as imagens avançam. O registo mostra uma violenta corrente de lama, pedras e destroços a atravessar a região de Nuwakot–Trishuli, no Nepal, junto à fronteira com o Tibete.
Nas imagens, é possível ver pessoas a fugir quando percebem a aproximação da torrente. Em poucos instantes, a água e os detritos avançam pelas ruas, arrastando veículos e atingindo edifícios e estabelecimentos.
A tragédia provocada pelas inundações e pelos deslizamentos na região continua a assumir proporções devastadoras. O mais recente balanço das autoridades nepalesas aponta para 903 mortos e 4 mil e 247 desaparecidos. No lado chinês, as autoridades contabilizam 16 mortos e 546 desaparecidos, elevando o número provisório de vítimas mortais nos dois lados da fronteira para 919 e o total de desaparecidos para 4 mil e 793.
Só nos distritos de Nuwakot, Rasuwa e Makwanpur, mais de 2 mil pessoas continuam dadas como desaparecidas. Entre os desaparecidos encontram-se ainda 592 cidadãos estrangeiros e 933 trabalhadores ligados a centrais hidroelétricas e projetos de barragens na região.
A dimensão da catástrofe está também a dificultar as operações de socorro. Equipas nepalesas, apoiadas por especialistas estrangeiros, continuam a tentar chegar a centenas de trabalhadores que poderão estar presos no interior de túneis de projetos hidroelétricos atingidos pela lama e pelos destroços.
Mais a jusante, no estado indiano de Uttar Pradesh, foram recuperados 17 corpos que poderão pertencer a vítimas arrastadas pelas cheias. A identificação está em curso e essas mortes ainda não integram o balanço oficial do Nepal.

















