O investimento em certificados de aforro atingiu um novo máximo em julho, com 43 mil 851 milhões de euros aplicados nestes produtos. O valor representa um crescimento de 14,7% face ao mesmo mês de 2025 e prolonga para 22 meses consecutivos a subida do montante investido.
Os dados divulgados pelo Banco de Portugal mostram que nunca tinha sido aplicado tanto dinheiro em certificados de aforro desde o início da série estatística, em dezembro de 1998.
Em apenas um mês, o montante investido aumentou 768 milhões de euros. Face a julho do ano passado, o crescimento foi de 5.629 milhões de euros, confirmando a recuperação do interesse dos portugueses por este tipo de produto de poupança.
A evolução acontece apesar de os certificados de aforro terem perdido alguma atratividade nos últimos anos. Em junho de 2025, a série E, que estava em comercialização, foi substituída pela série F, com uma taxa de juro mais baixa.
Ainda assim, os certificados de aforro continuam a conquistar investidores, numa altura em que os portugueses procuram alternativas de poupança com menor risco.
O crescimento dos certificados de aforro contrasta com a evolução dos certificados do Tesouro. Em julho, o valor aplicado nestes produtos caiu para 6.532 milhões de euros, menos 28 milhões do que no mês anterior e menos 24,5% face a julho de 2025.
Os certificados do Tesouro encontram-se agora no valor mais baixo desde janeiro de 2015. A tendência de queda mantém-se desde outubro de 2021, mês em que o investimento nestes títulos atingiu o máximo de 17.865 milhões de euros.
Os dados mais recentes do IGCP, referentes a junho, mostram também a diferença entre novas subscrições e resgates. Nesse mês, foram emitidos cinco milhões de euros em novos certificados do Tesouro, enquanto os resgates chegaram aos 196 milhões de euros.
Entretanto, no início de julho, o Governo anunciou uma nova série de certificados do Tesouro, denominada Série 5, que substituiu os Certificados do Tesouro Poupança Valor.
A nova série prevê uma taxa de juro de 2,35% no primeiro ano, que sobe progressivamente até atingir 3,35% no décimo e último ano da aplicação.
A diferença entre a evolução dos certificados de aforro e dos certificados do Tesouro mostra uma clara preferência dos aforradores pelos primeiros. O montante investido em certificados de aforro está agora muito acima do mínimo histórico registado em novembro de 2012, quando Portugal atravessava o período do programa de assistência financeira e estavam aplicados cerca de 9,7 mil milhões de euros.
Os dados do Banco de Portugal revelam ainda que a dívida direta do Estado aumentou 1,7% em termos homólogos, atingindo 315.255 milhões de euros. Em sentido contrário, o valor registado caiu 7.481 milhões de euros face ao mês anterior.
Entre os restantes instrumentos de dívida, as obrigações do Tesouro mantiveram-se praticamente estáveis em termos homólogos, nos 179.444 milhões de euros, enquanto os bilhetes do Tesouro aumentaram 12,6%, para 13.633 milhões de euros.

















