A Meo deverá encaixar mais de 250 milhões de euros em receitas extraordinárias este ano, curiosamente numa altura em que está a executar uma reestruturação que prevê a saída de cerca de 1200 trabalhadores, aproximadamente 30 por cento do quadro da empresa.

O 24Horas já tinha noticiado o plano, que recorre ao estatuto de empresa em reestruturação atribuído pelo Governo e permite que trabalhadores que aceitem rescindir por mútuo acordo possam ter acesso ao subsídio de desemprego.

Na altura, especialistas ouvidos pelo 24Horas classificaram como “incompreensível” a utilização deste mecanismo perante os resultados financeiros conhecidos da empresa, considerando mesmo que “não justifica de nenhuma maneira o recurso a esse estatuto, chega a ser chocante”.

Agora, documentos enviados pela operadora ao Governo revelam os argumentos utilizados para justificar a redução de pessoal. De acordo com o diário Publico, a Meo aponta para a pressão da concorrência e para a transformação tecnológica, afirmando que “a manutenção do actual quadro de pessoal, desajustado face às necessidades operacionais, tornou-se insustentável”.

A empresa revelou ainda ter gerado cerca de 150 milhões de euros de ‘cash-flow’ em 2024, montante “insuficiente para cobrir os encargos com os juros da dívida do grupo, que ascendem a 230 milhões de euros sobre um total de 3,6 mil milhões de euros de dívida”.

O Governo não aceitou, contudo, a totalidade do pedido da Meo: a empresa pretendia mais 500 rescisões com acesso ao subsídio de desemprego, mas apenas foram autorizadas 300, um número que analistas consideram "excessivo".

Entretanto, a operadora deverá receber 114 milhões de euros com a venda do centro de dados da Covilhã e 152 milhões provenientes da alienação de uma participação na FastFiber. No total, são mais de 250 milhões de euros em encaixes extraordinários.

A situação volta assim a levantar dúvidas sobre a necessidade de uma reestruturação desta dimensão e sobre o recurso a um mecanismo que transfere para a Segurança Social parte dos encargos associados à saída dos trabalhadores.