O Metropolitan Museum of Art, em Nova Iorque, cancelou a exposição dedicada a John Galliano, de 65 anos, que estava prevista para maio de 2027, apenas dois meses depois de ter anunciado o projeto. A decisão surge após uma forte contestação à homenagem ao designer britânico, que há 15 anos esteve envolvido numa polémica relacionada com declarações antissemitas e racistas.
A mostra, intitulada 'John Galliano: Horizons', seria um dos grandes destaques da próxima Met Gala e faria do designer apenas o terceiro criador vivo a ser homenageado desta forma pelo Costume Institute, depois de Yves Saint Laurent, em 1983, e Rei Kawakubo, em 2017.
A decisão de cancelar o projeto foi anunciada esta segunda-feira, dia 7, pelo museu e pelo próprio Galliano. O designer afirmou que, depois de muita reflexão e de conversas com as pessoas envolvidas, concluiu que “o melhor é que a exposição não aconteça neste momento”.
Galliano voltou ainda a reconhecer o impacto das polémicas do passado e defendeu que o processo de reparação não pode ser feito através de uma exposição ou de um único gesto público, mas através de um compromisso contínuo com a aprendizagem, a escuta e a responsabilidade.
A escolha do designer tinha gerado críticas desde o anúncio, sobretudo entre membros da comunidade judaica de Nova Iorque. A contestação terá aumentado nas últimas semanas e alguns apoiantes do Met terão mesmo ponderado retirar o seu apoio à instituição caso a exposição avançasse.
A decisão também colocou sob pressão Anna Wintour (76) diretora editorial global da Vogue e uma das figuras mais influentes da Met Gala, que esteve envolvida na escolha de Galliano. O curador do Costume Institute, Andrew Bolton, tinha defendido que a exposição pretendia precisamente abordar a relação entre a criatividade artística, o legado de um designer e a responsabilidade ética.
A exposição iria percorrer várias fases da carreira de Galliano, desde os primeiros trabalhos em Londres até aos 15 anos na Dior e à posterior passagem pela Maison Margiela. O acervo incluiria roupa, acessórios, desenhos, protótipos, cadernos e outros materiais de arquivo.
Nos últimos anos, Galliano vinha protagonizando uma lenta reaproximação ao mundo da moda. Em janeiro, marcou presença num desfile de alta-costura da Dior, onde surgiu ao lado de Jonathan Anderson, e, em março, foi anunciada uma colaboração com a Zara, prevista para ser apresentada no final de setembro.
Apesar destes sinais de recuperação da carreira, a polémica de 2011 continua a pesar sobre a imagem do designer. Na altura, Galliano foi afastado da Dior após comentários antissemitas e racistas e acabou condenado por um tribunal de Paris por insultos de caráter racista.
A exposição no Met representaria, assim, um dos maiores gestos de reabilitação pública da carreira do designer. No entanto, perante a contestação crescente, o projeto acabou por ser cancelado antes mesmo de chegar à famosa escadaria do museu.

















