O novo ano letivo arranca com milhares de alunos ainda sem todos os professores. Na véspera do regresso às aulas, o ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, reconheceu que o problema vai voltar a sentir-se, sobretudo nas escolas da Grande Lisboa e da Península de Setúbal, apesar de garantir que haverá “muito menos alunos sem aulas” do que em 2025.

Neste momento, existem cerca de 2.700 horários de professores por preencher, uma carência que poderá obrigar algumas turmas a começar o ano sem docentes em todas as disciplinas. Para tentar acelerar as colocações, o Governo estreia um novo mecanismo que permitirá às escolas chamar diariamente professores para ocupar horários que continuem vagos. O sistema de colocação contínua e diária entra em funcionamento a 18 de setembro.

O calendário escolar também será diferente para os alunos mais velhos. Entre esta sexta-feira e a próxima terça-feira, mais de um milhão de crianças e jovens do pré-escolar e do ensino básico regressam às escolas. Já os estudantes dos cursos científico-humanísticos do ensino secundário só iniciam as aulas a 21.

O adiamento está relacionado com os problemas registados na classificação digital dos exames nacionais. O Ministério da Educação decidiu conceder mais alguns dias de descanso aos professores envolvidos no processo, depois de um verão marcado por atrasos e dificuldades na correção e divulgação das classificações. Setembro começou, aliás, com uma época extraordinária de exames nacionais, criada para evitar que os alunos fossem prejudicados pelas falhas verificadas.

Outra das principais mudanças do novo ano letivo acontece nos recreios. A proibição da utilização de smartphones, já aplicada aos alunos mais novos, é alargada ao 9.º ano. A decisão foi sustentada por um estudo que apontou para maior socialização e menor indisciplina nas escolas onde os telemóveis deixaram de ser utilizados nos intervalos.

Alguns estabelecimentos de ensino já aplicavam a regra aos alunos do 9.º ano. Os restantes terão até ao final de dezembro para criar as condições necessárias. A partir de janeiro de 2027, a proibição dos smartphones terá de estar em vigor em todas as escolas do ensino básico.