Cuauhtémoc Cárdenas, figura histórica da esquerda mexicana e protagonista da democratização do país, morreu a 28 de outubro, aos 92 anos. Três vezes candidato à Presidência, o antigo governante tinha uma ligação familiar a Portugal: foi casado durante 58 anos com a portuguesa Celeste Batel.

Filho do mítico Lázaro Cárdenas, o presidente que governou o México entre 1934 e 1940, e ficou conhecido pela nacionalização petrolífera, Cuauhtémoc construiu um percurso próprio, marcado pelo confronto com a hegemonia do Partido Revolucionário Institucional (PRI), de cujas fileiras saiu em 1987.

No ano seguinte, disputou a Presidência numa eleição marcada por denúncias de fraude. A interrupção do sistema de contagem e a vitória atribuída a Carlos Salinas de Gortari tornaram aquela votação um símbolo da luta pela abertura democrática.

Em 1989, ajudou a fundar o Partido da Revolução Democrática (PRD). Voltou a concorrer à Presidência em 1994 e 2000, mas foi em 1997 que alcançou um triunfo histórico: tornou-se o primeiro chefe do Governo da Cidade do México eleito por voto popular.

A ligação portuguesa atravessou a sua vida pessoal. Casado desde 1963 com Celeste Batel, falecida em outubro de 2021, teve três filhos: Lázaro, Cuauhtémoc e Camila. Discreta, Celeste acompanhou as campanhas e os momentos decisivos da carreira do marido.

A Presidente Claudia Sheinbaum lamentou a morte do dirigente, cuja trajetória ficou associada à construção de uma oposição capaz de desafiar décadas de domínio político do PRI.