A PSP avançou esta madrugada, praticamente em simultâneo, sobre as ‘acampadas’ pelo direito à habitação no Rossio, em Lisboa, e na Praça D. João I, no Porto. A intervenção do Corpo de Intervenção começou pelas 04:30, com bastonadas, lançamento de petardos e várias detenções, segundo a agência Lusa.
Em Lisboa, o Rossio ficou vazio poucos minutos depois do início da intervenção. Os manifestantes tinham formado um cordão humano para atrasar o avanço da polícia, mas foram empurrados para os vários acessos à praça. Parte do grupo voltou a juntar-se no Martim Moniz, onde montou barreiras para tentar travar os agentes.
No Porto, a Unidade Especial de Polícia levou cerca de 20 minutos a desfazer a resistência e a chegar às tendas, desmontando o acampamento. Os manifestantes foram empurrados até à Rua Dr. Magalhães Lemos. Foi a terceira carga policial naquele local desde 10 de outubro, dia em que os protestos começaram.
A intervenção surgiu horas depois do prazo dado pela PSP, que fixara as 00:30 como limite para a retirada das tendas. No Rossio, um plenário de delegados da Acampada de Lisboa decidiu, pouco depois da 01h00, manter a ocupação e resistir de forma pacífica, depois de a PSP ter comunicado à equipa jurídica do movimento que considerava ilegal a permanência das tendas. Já perto das 04:00, a polícia fez avisos por megafone, com prazos de cinco minutos para a desmontagem e a saída das pessoas. Alguns manifestantes chegaram a empilhar tendas na fonte do Rossio ou a colocá-las entre si e os agentes.
Ao longo da madrugada, os deputados Pedro Delgado Alves (PS), Isabel Mendes Lopes (Livre) e Fabian Figueiredo (BE) estiveram no Rossio a falar com a PSP. O socialista defendeu que nada na praça justificava uma intervenção com intensidade semelhante à da semana anterior. A polícia argumentou que as tendas violam a lei das manifestações e as regras de utilização do espaço público. Antes, ainda no sábado à noite, a equipa jurídica da ‘acampada’ tinha sido informada de que o procurador Luís Caldeira não considerava ilícita a permanência das tendas, independentemente do horário. Membros do Mecanismo Nacional de Prevenção, da Provedoria de Justiça, estiveram no terreno a monitorizar a atuação policial.
No Porto, a comissária Eduarda Fã informou os manifestantes de que poderiam ficar na praça se retirassem as tendas, mas a proposta foi rejeitada em votação. Seguiu-se a formação de um cordão humano, com participantes equipados com capacetes, cotoveleiras e máscaras. Estavam montadas cerca de 40 tendas, depois de uma ‘assembleia popular’ com perto de mil pessoas ter votado, ontem às 20:20, o regresso do acampamento.
As ‘acampadas’ foram reerguidas ontem, no final de manifestações que juntaram milhares de pessoas em Lisboa, entre o Largo Camões e o Rossio, e no Porto, entre a Batalha e a Praça D. João I, sob o lema "Não temos casas, ficam as tendas". Há uma semana, na madrugada de 25 de outubro, intervenções idênticas nas duas praças tinham terminado com 31 detidos e 11 feridos, segundo a PSP. A Inspeção-Geral da Administração Interna abriu um processo sobre essa operação.
Os manifestantes exigem a reversão da nova lei do arrendamento, o fim dos despejos sem alternativa habitacional, travões à compra de casas por fundos imobiliários, mais habitação pública e tetos às rendas.
Créditos: @Malaghetto74 / X

















