Depois de regressar ao capital da REN e perante a possibilidade de entrar no Millennium bcp, o Governo admite reforçar a participação pública na Galp. Os três casos apontam para uma maior intervenção do Estado em empresas consideradas estratégicas, embora estejam em fases distintas.
"Se disser que está fora de causa, estou a mentir. Vamos avaliando", afirmou o ministro da Economia, Castro Almeida, sobre um eventual aumento dos cerca de 8 por cento que o Estado detém na petrolífera. Em entrevista à Antena 1 e ao Jornal de Negócios, sublinhou a necessidade de proteger o interesse nacional associado à refinaria de Sines, após o fim das negociações entre a Galp e a espanhola Moeve.
Na REN, a intervenção já está concretizada: o Estado investiu 528,6 milhões de euros para adquirir cerca de 19 por cento do capital, através da Parpública. À compra de 13,7% à Pontegadea juntou-se a posição da Fidelidade, tornando o Estado o segundo maior acionista da gestora das redes energéticas.
Na banca, o Executivo admite uma posição minoritária no BCP caso a Fosun decida vender. A hipótese permanece, porém, sem operação anunciada: o grupo chinês afirmou não ter um processo organizado de alienação em curso.
Energia e banca desenham, assim, uma orientação comum: ganhar influência acionista em setores estratégicos. Na REN, é uma decisão executada; na Galp e no BCP, continua a ser uma possibilidade.

















