Nuno Cardoso, presidente da Câmara Municipal do Porto entre 1999 e o início de 2002, morreu esta segunda-feira no Hospital de Santo António, no Porto, aos 64 anos, vítima de doença prolongada. Há dois meses, a 9 de julho, tinha recebido a Medalha de Honra do município das mãos do atual presidente, Pedro Duarte.

Nuno Magalhães da Silva Cardoso nascera no Peso da Régua a 31 de outubro de 1961. Formou-se na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, casa a que se manteve ligado como docente (era professor auxiliar convidado no departamento de Engenharia Informática da FEUP) e onde se especializou em transportes, acessibilidades e planeamento do território.

Foi por aí que entrou na vida pública. Em 1990 tornou-se assessor de Fernando Gomes, então presidente da Câmara do Porto, com a responsabilidade da estratégia de transportes da cidade. Desse trabalho ficou-lhe associado o contributo para a conceção da rede do Metro do Porto, o projeto que mais transformaria a mobilidade da Área Metropolitana nas duas décadas seguintes. Em 1996, com 35 anos, foi nomeado presidente do conselho de administração da Águas do Douro e Paiva.

Em janeiro de 1998 assumiu o pelouro do Urbanismo e Planeamento como vereador e, a 26 de outubro de 1999, sucedeu a Fernando Gomes na presidência da autarquia, quando este saiu para o Governo. Coube-lhe assim conduzir a cidade durante o ano de Porto 2001 - Capital Europeia da Cultura, o programa que serviu de pretexto a uma vasta operação de obra pública no centro histórico.

O mandato terminou nas urnas. Nas autárquicas de dezembro de 2001 foi derrotado por Rui Rio, que tomou posse em janeiro de 2002 e inaugurou 12 anos de presidências do PSD no Porto. Cardoso, que começara como independente nas listas socialistas, filiou-se depois no PS e conquistou, em abril de 2003, a liderança da concelhia do Porto.

Em novembro de 2010 foi absolvido no processo do Plano de Pormenor das Antas, em que era acusado, com três vice-presidentes do FC Porto e dois engenheiros municipais, de lesar os cofres camarários em 2,5 milhões de euros. O tribunal criminal do Porto entendeu que não fora feita prova de qualquer prejuízo patrimonial ao município.

O regresso à primeira linha nunca chegou. Em 2013 concorreu como independente, pelo movimento "Porto de Futuro", e obteve apenas 1255 votos  (1,1% ) , numa eleição ganha por Rui Moreira com 39,3%. Em 2021 manifestou disponibilidade para voltar a candidatar-se, mas não obteve o apoio do PS. Em janeiro de 2025 anunciou nova candidatura independente, agora pelo movimento "Porto Primeiro", e nas autárquicas de 12 de outubro reuniu 2192 votos (1,9%), sem eleger vereador, num sufrágio decidido por 2121 votos entre Pedro Duarte (37,4%) e Manuel Pizarro (35,5%).

Fora dos cargos, manteve-se voz ativa e crítica sobre a cidade. Nos últimos meses acusou a Câmara de estar "desmazelada" nos bairros sociais e classificou o terminal intermodal de Campanhã como "ridículo".

A 9 de julho deste ano, no Dia da Cidade, o município distinguiu-o com a Medalha de Honra, a mais alta condecoração municipal, atribuída na mesma cerimónia a Rui Moreira e a Sebastião Feyo de Azevedo. Pedro Duarte evocou então "uma vida de total entrega e lealdade ao Porto" e a dedicação "discreta e constante" do antigo autarca.