André Ventura defendeu que as alterações à lei do arrendamento devem ser aprovadas em conjunto por Chega, PSD e PS: o líder do Chega acusou ainda o primeiro-ministro de não mostrar humildade nem empatia perante a crise da habitação.

Em entrevista ao Now, Ventura afirmou ter sido sua a exigência de envolver os socialistas, transmitida tanto a Montenegro como ao Presidente da República. Argumentou que, depois do que aconteceu no país nas últimas semanas, a legislação deve ter o apoio dos três partidos, e que o PS, por ter contribuído para os problemas da habitação, não pode fugir às responsabilidades.

O líder do Chega aceitou o convite do primeiro-ministro para discutir a crise e disse que o partido está disponível para fazer parte da solução. Sobre as condições que impôs para aprovar a lei na generalidade, respondeu que o desfecho depende do Governo e que há margem para avançar se o PSD cumprir o que foi acordado.

Quanto à declaração ao país, considerou-a dececionante. Segundo Ventura, Montenegro não apresentou uma única medida e age como se já tivesse feito tudo o que era preciso, quando isso não aconteceu. Criticou-o ainda por ter desaparecido do espaço público nas últimas semanas e por ter comunicado mal.

As críticas estenderam-se a José Luís Carneiro, a quem atribuiu grande responsabilidade pela crise, e a António José Seguro, por ter demorado a reagir à situação da habitação e à vaga de protestos.

Ventura rejeitou também o argumento dos manifestantes contra a nova lei das rendas, sustentando que esta ainda não existe e que as regras em vigor são as do PS.

José Luís Carneiro, confrontado com a afirmação de que o PS estava nas negociações a pedido de Ventura, respondeu com um ataque, apontando-lhe problemas de consciência. O líder socialista admitiu chegar a um ponto de encontro com o Governo sobre as rendas, mas mantém como condição prévia o arquivamento da proposta do executivo.