O ministro dos Transportes de Espanha, Óscar Puente, anunciou esta terça-feira, dia 3, a demissão do cargo, na sequência do acidente ferroviário em Urda, na província de Toledo, que provocou 69 mortos e cerca de 200 feridos. Durante o discurso no Parlamento espanhol, o governante evocou o antigo ministro português Jorge Coelho, que se demitiu após a tragédia de Entre-os-Rios, em 2001.
A decisão foi comunicada durante uma audição no Congresso dos Deputados, onde Óscar Puente prestava esclarecimentos sobre a colisão entre dois comboios de alta velocidade, ocorrida a 28 de outubro. Entre as vítimas mortais encontra-se um cidadão português.
"Um ministro dos Transportes de um país como Espanha não pode permanecer no cargo depois de dois acidentes em menos de um ano", afirmou o governante, justificando a saída com a responsabilidade política associada às tragédias ferroviárias.
No discurso, Puente recordou Jorge Coelho, que abandonou o Governo português após o desabamento da Ponte de Entre-os-Rios, em março de 2001, que provocou 59 mortos. Na altura, o antigo ministro proferiu a frase "A culpa não pode morrer sozinha", agora evocada pelo governante espanhol.
Óscar Puente voltou ainda a defender que a linha ferroviária de alta velocidade entre Madrid e Sevilha não estava abandonada nem esquecida, apesar das críticas à segurança da infraestrutura.
O acidente ocorreu quando um comboio AVE colidiu com uma composição da Iryo que se encontrava imobilizada na linha devido a uma avaria. As autoridades continuam a investigar as circunstâncias da colisão, incluindo uma falha no sistema de segurança ferroviária.
A demissão surge depois de vários partidos, entre os quais o Partido Popular, o Vox e a coligação Sumar, terem exigido a saída do ministro.

















