Um homem de 94 anos morreu depois de ter permanecido cerca de 24 horas nas urgências do Hospital de Portimão sem ter sido observado por um médico. O caso ocorreu em outubro e foi denunciado pela equipa de enfermagem, que terá pedido a observação clínica do doente, mas viu o pedido recusado. Esta é a segunda morte conhecida esta semana na sequência de falta de assistência médica nesta unidade hospitalar.

Segundo a informação avançada pela SIC Notícias, o idoso regressou ao serviço de urgência após ter sido avaliado por um urologista, apresentando os mesmos sintomas que o tinham levado ao hospital no dia anterior. Apesar dos alertas dos enfermeiros, tanto o médico de serviço como a equipa de Cirurgia Geral terão recusado observá-lo.

O doente permaneceu sob vigilância e cuidados básicos durante a tarde, noite e madrugada do dia 7 de outubro. Na manhã seguinte, os enfermeiros emitiram uma notificação de risco de óbito, mas a situação não terá sido alterada. O homem acabou por entrar em paragem cardiorrespiratória e morreu sem ter sido observado por um médico.

O caso integra um conjunto de denúncias feitas pelos enfermeiros, que apontam falhas na organização do serviço, ausência de chefias e recusas de observação clínica.

Entretanto, o diretor do serviço de urgência, João Coucelo, foi exonerado pela administração da Unidade Local de Saúde do Algarve. O responsável rejeita responsabilidades e afirma ter alertado a administração para os problemas existentes.

A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) abriu um processo de inquérito para investigar as circunstâncias da morte. O Ministério da Saúde pediu também esclarecimentos à ULS do Algarve.