A Ordem dos Médicos pediu esclarecimentos à Unidade Local de Saúde (ULS) do Algarve sobre a morte de um homem de 87 anos que esperou cerca de 10 horas por observação médica nas urgências do Hospital de Portimão. O bastonário, Carlos Cortes, classificou o caso como inadmissível esta quinta-feira, dia 5, em Lisboa, à margem de um encontro organizado pela Ordem.

Segundo a ULS do Algarve, o idoso chegou às urgências por volta das 17:00 de terça-feira, dia 3, e foi triado com pulseira amarela. Quando foi chamado para atendimento, cerca das 4:00 de ontem, não respondeu e os enfermeiros encontraram-no inconsciente na sala de espera. O presidente do conselho de administração, Tiago Botelho, rejeita, no entanto, a informação de que tenha morrido nesse local.

A ULS do Algarve e a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde anunciaram que vão abrir um inquérito para apurar as circunstâncias da morte.

Carlos Cortes disse à Lusa que ainda não são conhecidas as causas do sucedido e que aguarda a resposta da ULS. Lembrou, porém, que a instituição enfrenta grandes dificuldades, com um quadro médico insuficiente para as necessidades de uma região cuja população chega a triplicar no verão.

O bastonário defendeu que casos como este abalam a confiança no Serviço Nacional de Saúde e exigem uma reflexão do poder político. Na sua opinião, o Ministério da Saúde e a Direção Executiva do SNS devem deixar de aplicar os mesmos critérios a todo o país e dar tratamento preferencial às unidades em maior dificuldade. Além de Portimão, apontou hospitais do interior e serviços de hospitais centrais das grandes cidades.

Carlos Cortes alertou ainda para o aumento da procura das urgências no inverno, devido às infeções respiratórias e à descompensação de doenças crónicas, e defendeu que o SNS tem de estar preparado para lhe responder.